Poesias...

Mora em Guarapuava e escreveu uma poesia/poema e tem "interesse" em mostrá-lo para seus amigos, parentes, ou, colegas, esse aqui é seu espaço. Tudo, de forma gratuita. Ele ocupará uma semana inteira na "Coluna: Maic Literário". É só levá-lo no seguinte endereço:

Rua: José Podolan n: 57

Bairro: Primavera (próximo ao Corpo de Bombeiro no final da Av. Bandeirantes).

Somente no horário das 11:30hs às 13:00hs. De segunda à sexta-feira.

Para participar não existe idade e nem se aluno de escola pública ou particular (textos em Sapp ou e-mail não serão aceitos). 

Parabéns pela iniciativa.

Escrever para si mesmo
Onde se encaixa o que escrevo?
Na extinção das mentiras dos amantes, que não entendem o mal que espalham (de quem os esperam em casa, na maior expectativa do amor?).
Onde se encaixa o que escrevo?
Na imundice dos que dormem na rua, esquecidos pelos que comem e bebem (sobre mesas limpas e fartas), esses acreditam, os poderosos, ainda iram mudar as suas vidas?
Onde se encaixa o que escrevo?
Será?
No detergente da multidão, que são os livros, as letras e as leituras, como forma de limpeza mental?
Onde se encaixa o que escrevo?
No aparato geral desse foco, escrever, só vai haver mais aceitação (causar menos raiva e ofensa), no papel esquecido na gaveta.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Respirar

Chegou aquele momento.
Transe.
Impacto.
Coragem.
Momento que "liberta" a mente (dessa palavra não posso correr).
Tenho tempo para falar do sábado.
O sábado que poderia ser mais útil (que não aqueles a contemplar o teto, o falatório do almoço, as intrigas alheias...).
A televisão.
A televisão que me tira o gás.
Gás, que preciso para correr o mundo, me entregar, se arriscar... Sair desse sábado furtado.
Eu sei que essa é a hora (hora da explosão mental).
Momento sadio (num segundo do dia, ou, da noite).
Só assim.
Só assim para que eu possa acreditar que, não terei mais aquele sábado, como o de ontem.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Caligrafia

Vou poetizando essa vida observada:

Um trem, chegou à estação saudade;
um ônibus, partiu com almas que não pensam em voltar mais;
as calçadas, com passantes complexos, mas com os corações pulsantes de afetos;
os automóveis, com suas carcaças imortais que percorrem o mundo com as suas funções espirituais condenadas (são inanimados) e; a caixa do correio com as correspondências de quem nunca pensou em mim...

Vou poetizando essa vida observada:

Sempre na tentativa de entender as "distâncias", porque para o "amor" sempre há um transporte adequado.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



O isqueiro

Uma rua (com vários personagens).
Um cinzeiro (com várias pontas ogivais).
Uma xícara (cores diversas).
Um gole (whisky, vodca, conhaque...).
Um caminho (universidade, emprego, residência...).
Um instante (natais, páscoas, aniversários...).
Um plano (se apaixonar, amar, conviver...).
Uma cama (cansaço, preocupação, enrosco...).

Me resta a vida,

e a vida é uma só.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Certas tardes
Me lembro,
foi numa dessas tardes,
quando uma tormenta qualquer estava por vir
(pulávamos rápido da cama).


O medo,
era perder aquilo que,
com o tempo,
fomos trazendo para a nossa acomodação.


Me lembro,
era engraçado nossos gestos (para com a natureza) onde,
torcíamos,
ela não destruísse tudo aquilo que,
há muito tempo atrás,
sonhamos em conseguir.


Daí, foi indo a vida:


desentendimentos,
brigas,
frustrações,
amarguras,
dores...


Aí,
outras tardes,
mesmo com tudo trancado,
isso, foi encharcando nosso meio.

Sem esperança,
resolvemos "mudar" de táticas para certas ocasiões.

Um dia,
a tormenta voltou,
mas já planejado, enganamos a "ignorância"
assim, voltamos a ser feliz.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Foi assim


Coloquei a cadeira, próximo a margem:


nos pés ( a água salgada),
ouvidos nítidos (ao som das ondas),
e, lá, no alto (a claridade das nuvens).


Foi assim, nesse gesto:


Se o tempo não fosse embora,
ficar no lugar, até quando?
Nessa baboseira toda do "LOVE" é possível,
"sempre" ter uma saída correta e justa (na sentença) para você?


Foi assim, nesse gesto:


Você foi embora (foi, ficou, voltou...).
Sentimos que as coisas não eram mais como "antigamente".
O tempo pode passar,
não faz tanta "falta" quanto o "amor".


Foi assim, nesse gesto:


Veio o silêncio e o perdão,
(são os "remédios" para a dor).
Sem silêncio e perdão "tudo" de novo.


Foi assim, nesse gesto:
que voltei para o apartamento, sem encontrar você. 


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).

Foragido e culpado


Caminhamos não entendendo o mundo, ofendemos alguém?


Mas em várias ruas não existe luz elétrica! "Perdoais nossas ofensas...", percebemos, em muitos, foi só da boca para fora.


Quem foi o ofendido?


Perdemos a autoestima no que estudamos para trabalhar, por causa disso, procuramos outra profissão.


No novo emprego, vivemos com dignidade, conquanto, não foi aquilo que sonhávamos, quando estudávamos.


Caminhamos não entendendo o mundo (vivemos nele).


Ofendemos alguém?


Sentimos raiva... vontade de gritar... reclamar...


principalmente, porque o culpado... dessa confusão... não será encontrado... nesse mundão.


Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).



Não guardo ressentimento


Dia e noite:
Passei por muitas ruas.
Encontrei residências que não tinham luz elétrica, Natal (Natal no sentido de carnes, brinquedos, refrigerantes...), hospitais (perto) para as enfermidades familiares e, talvez, por esses motivos, os habitantes debaixo desses tetos, não se entendiam.


Mas mesmo assim, não guardo ressentimento.


Dia e noite:


Passei por muitas ruas que, sei, muitas famílias "tinham" luz elétrica, Natal, hospitais para as suas enfermidades... Mas mesmo assim, eles não se entendiam.
Aí, já não era por falta de dinheiro (que compra luz elétrica, brinquedos, hospitais...) Mas por egoísmo, um, para com outro; por falta de afeto, um, para com o outro; por falta de risos, um, para com outro.

Mas mesmo assim, não guardo ressentimento.

E onde mora a diferença de tudo disso?
Imagino, que são só essas ruas que - sabemos - ainda existem, depois da sua janela. 


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).





Voltei


Quanto sinto saudade dos velhos tempos.


Quando caminhávamos na calçada, divagando sobre: Virginia Woolf, Clark Gable, legião urbana...

Não tinha importância a ventania, o sereno, ou, as quadras que ainda faltavam para chegar no: "Snolk Life". (E, o "Snolk Life". Será que ainda existe, no mesmo endereço?).


Poderíamos continuar vivendo como nos velhos tempos.


Tudo era um enigma (e como era gostoso viver nesse labirinto).

Nele, planejávamos, se entregávamos e, tudo se resolvia.

Não precisávamos se preocupar com o desemprego (se iriamos ou não para a universidade).

Ah! Os desafios da sociedade? A sociedade é muito fraca para nós. "Pensávamos. Hoje. Que coisa mais absurda".


Um movimento suspeito na rua: ou, eram os outros transeuntes, ou, eram os outros garotos (as) em busca de diversão nas madrugadas; ou, era frenagem qualquer de um automóvel...

Hoje: homicídios; estupros; as etilometrias visíveis dos irresponsáveis noturnos... "Como mundo mudou!".


Hoje, poderíamos continuar vivendo como nos velhos tempos.

Desde que eu não precisasse me levantar, caminhar até o berço e ter só você para conversar. Criador de palavras e de pensamentos antigos - meu bebê.


Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).






Amargo


Por que você não se levanta e faz alguma coisa?

Quem coloca comida nessa casa?
Quase não existe firma, comércio, indústria nessa cidade, que eu não tenha ido atrás de emprego?
Serviço pesado! Braçal! Ou cercado de gente idiota, não é muito pra mim.
Por que você não se levanta e faz alguma coisa?
Quem eu amo, não me ama.
Quando saio, seja de carro, ônibus ou a pé... não importa. Nunca acontece nada de diferente mesmo.
Por que você não se levanta e faz alguma coisa?
Esse final de semana tem show com um cantor da MPB no município que vivo; no museu próximo a minha casa, tem mostra de uma curadoria de um artista italiano; nas minhas caminhadas, pelos expositores das panificadoras que passo, sempre: pudins, tortas, doces... que, tudo isso (o show, a mostra, a comida), sempre, vão e voltam, deixando saudade de experimentar tudo de novo (esquisito isso, senso do longe, e ao mesmo tempo, saudade).
Por que você não se levanta e faz alguma coisa?
Me desce a consciência de que daqui um pouco a costureira vai chegar com as roupas que mandei arrumar (e o dinheiro?); falta terminar de pintar uma das portas da edícula, com verniz; o teto, as paredes, o piso de onde moro, sempre me explicam que estão precisando de reparos...
Por que você não se levanta e faz alguma coisa?
Mal tenho alguma deixa para esportes; mal me interesso pela comunhão com a igreja; sinto, faz um tempo, meu rosto não é mais o mesmo naquele espelho que mamãe alocou num dos vão da estante de sala (não faz tanto tempo, eu gostava tanto de me arrumar na frente dele, e, agora?).
Por que você não se levanta e faz alguma coisa?
Sempre sofro difamação, quando eu sei que comentam que tenho preguiça, estou vegetando, e perco meu tempo sentado no sofá, esperando o sucesso.
Por que você não se levanta e faz alguma coisa?
A só me induzir a colocar o titulo desse poema de "amargo".


                                                                       Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).




Impossível escrever um poema!


Impossivel escrever um poema. Por quê?
Tem-se que ter cadência na escrita e tentar arquitetar o mundo de jeito melhor. Coisa que não é pra mim. Uí!
Por isso, acho, é quase impossível conseguir escrever um estrofe.
Principalmente porque não gosto da injustiça praticada sobre os iletrados do meu país.
Principalmente porque não telefono para quem amo.
Essa coisa de saber que no planeta somos todos separados pelo idioma, mas para a dor pessoal, não existe bandeira, me dói.
Ainda, não sou de convidar ninguém para ir ao cinema. Caminhar no pátio do shopping? Tudo isso, não é muito minha praia. Uí. "Deus me livre".
Outra coisa: a falta de atendimento médico nos hospitais; a observação do racismo no mundo que só parece crescer; e a multidão sempre, cada vez mais, sendo hipnotizada pela televisão e, a televisão, que não morre, porque todos sabemos, o combustível dela é a audiência... Audiência que cresce, cresce, cresce... "Sai azar!".
Aí! O quê?! Pensando, pensando, pensando... Concluí! Confesso! Agora, nesse instante que, a espera na fila do Banco, foi o meu primeiro 
poema.


Autor:  Denis Santos (Guarapuava PR).






Olhando

Os carros em movimento mostram, que a vida continua.

Os comércios abertos mostram, que existe algo no mundo, para o entretenimento.

A multidão atravessando as ruas, pelas praças, shoppings, ou universidades, mostram que, "independente" do que aconteceu ontem, o tempo não parou.

Que fachada é essa?

O gesto do motorista não foi o mesmo de ontem?

O gesto do vendedor de remédios, não foi o mesmo o de ontem?

Todas as pessoas caminhando, ou, resolvendo algum problema a vida, talvez, não tenha sido o mesmo de uma semana atrás? Não?

Que fachada é essa?

Doenças, falta de empregos, falta de uma "oratória" teórica eficaz para a saída à um mundo melhor! Cadê?!

Que fachada é essa?

É a fachada da "repetição" que, se ela não existisse, o poeta não teria função.

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR)






Guarita

Da onde fico, percebo, ainda está longe dos criminosos encontrarem, cada um, a sua liberdade.

Porém: oram, jogam bola, se alimentam, tomam banho de sol... porque acreditam, um dia, ainda, vão ser um ser humano melhor.

Da onde fico, percebo, seus parentes, com bolachas e frutas as mãos, não é com muita alegria, vem os visitar.

Acreditam, todos os dias, ainda é possível ser um ser humano melhor.

Da onde fico, percebo, um menino, as sete horas, talvez com frio e desanimado, vai para a escola.

Tem uns meninos (as) na cidade, que mesmo de carro, vão para a escola "chorando".

Da onde fico, percebo, lá no alto, onde as moradias foram construídas (todas pequenas, muitas delas sem pintar e a fumaça das fábricas estragando o pulmão dos telhados), elas, sempre, dão a sensação de que ainda vivemos igual há muito tempo atrás (de tão esquecidas na conservação e espaço).

Porém: "muitos" vivem em casas grandes, pintadas, que a fumaça não ataca o pulmão dos telhados, "mas" não sei se eles, acreditam, um dia, ainda vão ser um humano melhor.

E, da onde estou, percebo, inspecionando o relógio do pulso, ainda falta muito tempo para acabar o meu turno na guarita.

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).



Eu

Eu não gosto da cidade que vivo.

Eu não gosto da idade que vivo.

Eu não gosto da sociedade que vivo.

E eu vivo, vivo, vivo...

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).



idéias

Como você está tão... longe...
Você não vê a dor, o sofrimento, a frustração? E quem tenta caminhar, sendo empurrado para trás?
E essa inteligência, esse conhecimento "essas informações" para tudo? Mas o que inquieta? Por que o tempo passa, passa, passa...
Temos que orar mais. Temos que perdoar mais. Temos que crêr mais na vida...?
Como você está tão longe.
 Uma criança acredita no futuro. 
Um dia, algo de bom vai acontecer em sua vida.
 Assim foi com você, comigo, com nós todos.
Como você está tão longe, aqui, comigo: idéias. 


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).





  Status na sociedade


Deus não me deu um rosto bonito.
Deus não me deu uma vida fácil.
Deus não me deu status na sociedade.
Deus não me deu uma família perfeita, que não conhecesse o pecado.
Mesmo sem o rosto bonito, mesmo sem a vida fácil, mesmo sem o status na sociedade e, mesmo sem a família perfeita... certeza, se eu tivesse "tudo" isso, eu não teria prova, para acreditar que "ele" existe.


Autor: Denis Santos. Guarapuava PR.



Indo

Tem dias que não quero mostrar os dentes, e, você insiste em ficar perto de mim.
Tem dias que não quero ficar triste, e, você insiste em ficar perto de mim.
Eu passo pensando:
que o silêncio não é certo
que a multidão não é certa
que o leigo é inteligente
que o sábio é errado.
Eu passo pensando:
que o meu sentido não conecta
que meu esforço não se escuta
que o meu ouvido não se desliga
que meu tudo se desmorona...não, não, não... longe, o sábado com a Tv. 


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).




Esquife


Eles acham que você está bem.
Sabem, um dia:
Você gritou com um médico que não quis tratar uma criança com câncer.
Você não defendeu aquele delegado que não exagerou nos gritos, quando mandou para o xilindró aquele padre pedófilo.
Eles acham que você está bem.
Sabem, um dia:
Você fez um comentário, sem sentido, daquele motorista, embriagado, que matou um idoso que descansava no banco de concreto da praça.
Você lamentou ao meio dia, quando deu no noticiário, que nosso país não é rico, porque nosso dinheiro vai todo para o exterior.
Espalharam, aquela paquera, no emprego, nunca te ligou.
Você estudou, cantou, dançou, se vestiu bem... "Conquanto" sempre foi invisível na multidão.
Eles acham que você está bem.
Coisas cotidianas que massacram, destroem, perturbam, ferem... E você gostaria que elas nem existissem!
Pare!
Pare!
Pare!
Ninguém perguntou se você queria nascer. Porém, na sociedade, até na morte, próximo ao seu esquife, eles comentam que você fará falta. 

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR)




Onde

Na verdade, acho que sonhei com uma poesia nas ideias.

Nas minhas ideias, o sonho, dava solução para a desigualdade social:
onde, muitos comiam bem, outros, nada tinham para se alimentar.
Nas minhas ideias, todos moravam numa casa confortável, limpa, higienizada. E essas pessoas não eram ricas. Eram "gente".
Nenhum menino (a) largava o estudo, nenhum menino (a) catava lixo, nenhum menino (a), depois, fazia da prisão o seu lar.
Nisso, eu dava solução, com as minhas ideias, no meu sonho.
Por que é "tão" difícil os meninos (as) morarem numa casa legal?
Não largar o estudo?
Não catar lixo?
Não fazer da prisão o seu lar?
Mas a "solução" era "no sonho".
Não dá, não dá, não dá...
Mas...
Se não fosse acontecer, o que está acontecendo, eu não teria sonhado. 

                                                                             Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).       




22:01 hs


Eu que correr, mas não posso. Mas como não? Sendo que minhas pernas estão aqui, juntinhas comigo!
Eu quero escrever, mas não posso. Mas como não? As minhas mãos estão aqui, juntinhas comigo!
Eu quero cantar para o povo me ouvir. Mas também não posso. Como não? Sendo que esses lábios são meus! Eles estão comigo, eles me pertencem.
O sol.
A chuva.
O vento...
Tudo é meu. Mais não posso senti-los mais.
Ô essa grade. Ô esse leito. Ô essa lei.
Como nos distancia daquilo que nós pertence.
A irá. A revolta. O ódio.
(nasceram comigo, ou, deixaram crescer em mim?).
Ô essa "grade". Ô esse "leito". Ô essa "lei".
Seria tão melhor viver, se essas palavras grifadas, não tivessem nada em haver com "liberdade".

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).




Desfecho

Chegou o momento. Grite!
Você acha que eu não sei que você não concorda com o errado?
Você acha que eu não sei que você não concorda com a injustiça?
Vamos companheiro! Grite!
Agora é o momento.
Daqui um pouco perdemos o oxigênio. 
Daqui um pouco tudo fica gelado. Silencioso.
Agora é o momento. Grite!
Não, não, não... Não chore! Não, não, não... Não abaixe a cabeça!
Ainda temos luz. Saia correndo. Grite!
Daqui um pouco perdemos o oxigênio,
Daqui um pouco tudo fica gelado. Silencioso.
Mesmo sabendo que poucos te ouvem, numa folha de papel, você destrói uma religião errada, você destrói uma política errada, você destrói um amor não correspondido "errado".
Agora é o momento. Grite!
Assim mesmo, vá escrevendo, escrevendo, escrevendo...
Gritando para os fantoches que nos rodeiam; para a alienação que é pregada; para a ignorância que nos cerca...
É assim, é assim, é assim...
Vamos camarada, se levante, eu te ajudo.
De madrugada pode chegar um vento forte, uma geada mortífera, ou, uma chuva violenta. Desse momento para o fim da noite, você pode ficar esquecido para sempre.
Vamos camarada, eu te ajudo! Grite.

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).




Caminhada


Caminhando em silêncio,
contando os paralelepípedos, imagino, parecem focados.
Mesmo sob a neblina e o ambiente frio do momento, eles dam os seus passos, concentrados.
E os outros, logo atrás?
Aonde moram?
O que pensam, e, o que fazem?
Os pelos dos seus braços estão, aquecidos, com os tecidos das magas de algodões.
Que vontade será eles teriam de não morar?
Que vontade será eles teriam de não pensar?
Que vontade será eles teriam de não fazer nada?
Será? O amor verdadeiro em suas vidas, que não vão encontrar em casa?
Será? A ignorância, a corrupção, o medo... do mundo?
Será? Suas mãos enrugadas, seus rostos com pés de galinhas, suas pernas e mãos fracas?
Será?
Quem será eles, que não seja, eu, ou, você?!


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR) ­



Suportando

O que você não faz, para suportar o mundo? 

Canta!
Dança!
Passeia de carro!
Come num restaurante!
Viaja!
Passa um dia na praia!
Corta o cabelo!
Pinta o rosto!
Escolhe uma vestimenta adequada!
Pensa na vida!
Compra um remédio para a dor!
Espia os carros passando na rua!
Escreve um romance ou inventa uma paquera!
Assiste o lançamento do mês, no cinema!
Faz sexo!
Compra uma briga, por causa de um problema doméstico: não pagar o IPVA; não ir na igreja no domingo; não secar o piso do banheiro depois de tomar banho...
Vai para casa, cansado, mas ninguém se importa com isso. Fazer o que?

Para suportar o mundo, o que fazer?

Pensar menos em dinheiro?
Ser menos egoísta?
Não ter ganância?
Se inquietar com o pouco que tem?
Não se esforçar mais para nada?
Não assistir mais a matança na televisão?
Evitar as bombas do oriente médio?
Ser mais otimista?
Crer mais em quem está ao seu lado?
Não se preocupar tanto com a corrupção dos políticos?
Evitar puxar saco de quem você sabe que é bem parecido com um burro?

Assim vai os dias, assim, vai os meses, assim, chega a noite, provando que você venceu "suportando".

Autor: Denis Santos. Guarapuava PR.