"Literatura, cidadania e leitura em movimento".

Que bom que você chegou! Seja muito bem vindo (a).

"O site onde o 'conteúdo' é 'pensar' a sociedade".

"LITERATURA FICCIONAL: O IMAGINÁRIO E O QUASE REAL - TANTO FAZ. O MAIS IMPORTANTE, É AQUILO QUE NOS TIRA DA PRISÃO MENTAL".

Denis Santos

policial e escritor Guarapuavano.

   Denis Santos é formado em História, pela Faculdade FIES de Curitiba e já escreveu 22 livros (novelas/policiais) de ficção. 

   Soldado da polícia desde 2001 é pai de Ana Júlia e Maria Fernanda.

   O referido Blog é para todos que observam o mundo com a arte de "ler" ou "escrever".


Ler

E

CRESCER


O intimado. 

Mesmo fora da UTI, estava entre a vida e a morte (no leito de sua enfermidade individual).
Suas mãos, só digitavam palavras "nada haver". 
Seu coração, não estava legal.
Sua idéias, já deixavam a desejar.
Nas calçadas, as pessoas em volta (gritando/morrendo/sofrendo) sempre, num silêncio oculto, escondido. 
No ônibus, palavras pichadas, desconexas.
Em casa, a música que nem era mais uma canção. Sim, um ruído irritante, daquela banda que fez um tremendo sucesso, há tantos anos atrás (acredite). 
Lembrou. 
Estava entre a vida e a morte (no leito de sua enfermidade individual).
Não queria mais, criar, inventar, entreter... Impossível. 
Impossível porque foi justamente esse o remédio que o médico sugeriu, para essa cura esquisita, particular. Sinceramente, infantil, mimada. 
Por fim. Sabia que estava fora da UTI, e tinha que caminhar num mundo, sem os cuidados de quem, indicados por lei, não faziam o bem. 
E, o mundo, pudera, não devia ser mais uma sala de emergência. Sim, mais uma opção. Mais uma opção de, fora a religião, salvação. 

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).  


A confissão.

Ele, não gostava da demora que ela levava para escrever.
Quando isso acontecia, ele não gostava de não ser comunicado "sobre" o que ela escrevia.
Quando comentavam que, em breve, ela iria lançar outro book, para ele, os dias ficavam ainda piores.
Agora. O defeito.
Quando ele começava a lê-la, havia uma coisa esquisita na cadência das frases dela (construídas), que era igual uma mordaça.
Acredite, na maior liberdade de critico ocioso (na verdade, preguiçoso) aquilo, o prendia.
O que ele lia dela, era uma coisa irritante (na verdade, pegajosa). As analogias que ela fazia da vida dela, pessoal, com o mundo, observando o outro lado, num tom imparcial, na verdade, era diferente. Simplesmente: envolvente.
Essa catalisação (segundo o que os outros comentavam), do medíocre, do vazio, quando ela criava sua arte, foi um problema. Por quê? Quando ele dava-se por feliz, as páginas dela, chegavam-nas ao fim.
Ai. Era nesse itinerário, que ele passava a odiá-la.
Por quê? Porque simplesmente ele nunca pôde mostrar seu afeto, de um leitor sempre certo, secreto.

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).






O instante

(passando próximo a grade, ouviu um lamentar).

meu medo, é voltar para um caminho perigoso:

nota baixa na escola;
matrimônio sem estrutura familiar;
más companhias;
fugir das missas dominicais;
querer sempre aquilo que o meu salário não pode comprar;
mentir, até para os que me amam;
procurar ser sempre o sabichão (melhor que os outros), no emprego...

meu medo, é voltar para um caminho "perigoso".

por isso, esquecendo o passado, quando me derem "liberdade condicional" sinto que minha vida vai mudar.

(depois, seguiu seu itinerário).

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR). 


O manuscrito

Samuel chegou com o seu manuscrito na editora.

Bianca, notou que ele tinha cabelos escorridos para trás; os braços, encorpados e; falou tanto da sua obra que, por pouco, quase, ela ficou tonta. Aquele menino, com seu dilema, lembrou muito, aqueles atores de cinema. Mas... Com um simples adeus, a mulher teve que deixar o texto dele, para outra vez.

Numa outra vez, Samuel, com o seu manuscrito em um dos braços, já não falou tanto da sua história. Somente, foi percebido, que, ele, já não tinha mais aqueles cabelos longos, como da primeira vez. Os braços, já, não eram um tanto assim, soltos, ou, melhor, musculoso. Foi assim que, Bianca, o recebeu, naquela segunda tentativa (vindo não sei de onde, tirar a sorte grande). De certo modo, uma visita não esperada, para mais um dia "frustrado".

Na última vez, Bianca jamais poderia mentir. Houve um longo espaço de tempo. A editora nem mais tinha lembrança da existência do homem. Quanto menos, ainda, da sua insistência. Na verdade, quando a mulher o enxergou, na recepção, a neta, é quem foi  atendê-lo. Ela, não queria mais vê-lo (com o seu manuscrito). 

Bianca, de cansada,  o enxergou de longe, tão diferente: careca, raquítico e, sobre os passos lentos de uma bengala, veio tentar pela última vez, a triste sorte de, quase impossível, ser escolhido.

Porquanto, no fundo, dessa história, dessa recusa em vê-lo, Bianca não ficou nem um pouquinho incomodada. Pois, seus cabelos, brancos; suas mãos, enrugadas; sua face, já, bastante transformada e; a fraqueza do seu coração, nessa época, ela não queria "simbolizar" algo mais na vida dele, além de certa emoção, decepção. 

Autor: Denis Santos (Guarapuava -PR).


A diferença

No cemitério não vive o "corpo" com:
fome, sede, frio ou, dor.


No cemitério não vive o "corpo" com:
dinheiro, conhecimento, bem-estar ou, futuro.


Por isso, louvaremos sempre o mundo dos "vivos" pois, de certo modo, "todos", vivem (às vezes, sem opção) a mentira do caminho da "igualdade" exibida, esquecida.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR). 





O controle

Sinal digital, para:

sofrimentos de famílias em bairros vulneráveis; lágrimas de crianças que não têm um ombro amigo para chorar; propagandas de eletrônicos que nos dão as sensações de superioridades...

Sinal digital, para:

filmes com armas a laser e carros espaciais; assim, como, monstros que nos visitam de outros planetas...

Sinal digital, para:

desentendimentos amorosos de casais, tanto na ficção, quanto, na vida real e; corridas eleitorais nas buscas de votos (dessa vez, esse, vai fazer diferente).

Sinal digital, para:

discussões da problemática na saúde, segurança, educação (o que se perdura por cem anos, dá para se apontar a solução, muitas das vezes, entre comerciais de hambúrgueres, ou, de perfumes).

Sinal digital, para:

o humor inócuo, mesmo sabendo que a graça, são ironias disfarçadas, às vezes, das nossas próprias mazelas.

Sinal digital, para:

invenções de novas penitenciárias, pois, discernir a mente para o esporte, arte, religião, não enriquece os cartolas de empresas arquitetônicas...

Enfim, sinal digital (estamos numa nova era) afinal, o pensamento é para uma audiência qualificada.

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).


Certas ruas

   Sempre fui de caminhar por "certas ruas". Um dia, passava por uma uma que havia um portão. Nesse portão, me ofereceram algo. Algo que, se eu aceitasse, eu não poderia contar para a minha família, o que era. Recusando o algo, continuei a caminhar, como sempre fazia por "certas ruas".  

   Sempre fui de caminhar por "certas ruas". Um dia, passava por uma que havia uma esquina. Nessa esquina, me ofereceram algo. Algo que, se eu aceitasse, eu não poderia contar para a minha família, o que era. Recusando o algo, continuei a caminhar, como sempre fazia por "certas ruas".   

   Um belo dia, nas minhas caminhadas, topei com um cadáver no meio da rua. Os repórteres comentaram que a causa da morte, era aquilo que haviam me oferecido naquele portão e naquela esquina.

   Senti pena do defunto. Pena, porque sei que aquele que apresentou aquele algo para o morto, não caminha pelas mesmas ruas que eu, para um dia enxergar, o mal que cometeu.

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR). 



Ontem

Minha prosa não tem peso.
E, nem preciso escolher as palavras mais úteis, no que escrevo, porque 

é na cadência do pensamento (que flui) que sinto prazer.


Essa coisa inexplicável que é o infeliz,
procuro nele, os acessórios dos meus versos. Mas creio que isso não seja a bagagem completa.


Sou livre no que crio: perto de um rio, na cidade, ou, antes de dormir.


Caminho, nessa coisa estranha que é entender o mundo.


De onde tirar riso, bondade e respeito?
Hoje em dia, infelizmente, só pode ser nesses corpos, que vivem próximos da barbárie humana, na  ganância e no orgulho.

São próximo/longe desses, o qual vivemos embaixo do mesmo sol, são neles, sempre, que fecho minha mala.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).

CONTOS E POESIAS DO SUBMUNDO COTIDIANO (ÀS VÁRIAS FACETAS DO INESPERADO).


Um dia diferente

No lugar existe sempre "alguém" que te orienta a pensar/ver que estudar não garante o futuro (emprego).

No lugar existe sempre "alguém" que te empurra (aos ouvidos) que, o que você ganha para o patrão num "único" dia, ele, não te repassará nem a "metade", depois de um mês.

No lugar existe sempre um "alguém" que te condiciona a ouvir/ver pela televisão, tanta coisa que aconteceu ou se transformou no mundo: "conquanto" quando a tomada se desliga (embaixo do silêncio e da solidão, embaixo do sol e da lua), humanos continuam a serem os mesmos armários de dores e ódios, pelas ruas.

No lugar existe sempre um "alguém" que te aponta todos os dias, à encontrar uma fórmula fácil para resolver os seus problemas econômicos, onde, se possa, de maneira simples (sem trabalho, suor, paciência...), provar que você é melhor que o seu colega.

Tantas enciclopédias, tantos papéis, tantos autores...

Quem orienta a verdade?

Quem orienta a mentira?

Existe o vento sobre a terra e o vento sobre o mar, apenas se lembre sempre, qual desses se deu ao luxo de perder a vida (um dia), somente por te amar.

Autor: Denis Santos (Guarapuava -PR).



3 (três)


Para erguer o prédio, precisei:


concretos,
tijolos,
operários,
ferros...


Para a cirurgia, precisei:


paciente,
equipe,
anestesias,
aparelhos cirúrgicos...


Para minha aula, precisei:


sala,
alunos,
livros,
silêncio...


E para encarar a vida?
Para enfrentar a vida precisei "pensar".


Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).


Empurrando a carrocinha

Trabalho sobre as faces desconfiadas dos que me espiam, todos os dias, de um portão à outro, pelas residências.

Meu instrumento de exercício no dia a dia, a maioria do tempo é pesado, em consequência, complicado de movê-lo.

Muitas das vezes peço para que o sol tenha pena de mim, mas pelo suor que vai para minha roupa; percebo que ele não tem muito tempo para ouvir minhas preces.

Tenho um filho. Na verdade dois.
Ficando em casa, ou, eles me acompanhando, o que ganho, não vai torná-los feliz um dia (de qualquer jeito), por isso, o asfalto (a quentura dele nas solas dos pés), depende da boa disposição dos pequenos (seja de manhã, ou, a tarde, ou, quando a lua já pensa em nós abraçar), em me ajudar nas empreitadas.

No fundo sinto medo. Fome. Frio e sede. Qual o trabalho que outros também não passam por isso? Honestidade é honestidade em qualquer canto do mundo.

Nunca me falaram, mais sei que muito comentam que o que faço é porque não tenho tanto estudo. Herança. Ou, algum parentesco com gente graúda. 

Sinto que vou alcançar o meu sucesso.
Sinto, sempre, que Deus tem piedade de mim.

Nem que seja no final do mês (domingo) tem um almoço delicioso em casa, um café quente e, uma cama com uma manta perfumada que, eu a uso para descansar em paz.

Minha função não é de supervisionar ninguém.
Não fui incumbido de aprovar leis.
Tenho apenas uma missão admirável, 
trabalho quase todos os dias, na abissal jornada, do reciclável.

Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).




Nunca espere

Amanhã, a cidade que dorme terá um novo:


 momento (para contemplar que casais de namorados, não irão demonstrar expectativa, só no começo, das suas longas carreiras matrimoniais).


instante (para acreditar que todos os rios, mares e lagos, "não" serão ignorados, em respeito ao tratamento humano, ao restante do ano).


paladar (de que quase cem por cento do "Sermão da Montanha" se aprenderá no horário nobre na televisão).


impulso (para imaginar que será dado nova vida na educação mundial; sempre com o intuito de formar um indivíduo melhor...).


No fundo, o certo é que amanhã, a cidade que dorme, terá um novo: "sonho".


Autor: Denis Santos (Guarapuava - PR).

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"Poemas e poesias criados no bloco de notas do celular: tudo, onde, escrevendo, entende-se que seu tempo, vai refletir algo sobre o seu tempo. Porque o 'medo' existindo, palavras, se tornam uma página em branco". 

A confusão


A filha estava lendo um livro de Machado de Assis: "Memorial de Aires".
 
Se comentar que menina levou um susto é "mentira". O que aconteceu foi que ela achou esquisito, o barulho vindo de fora do apartamento, o que não era habitual dos outros moradores (condôminos).

Já de pijama, fechou o livro, calçou os chinelos e foi aos passos rápidos, saber se sua mãe, também estava sendo importunada pelo movimento.

Na sala, encontrou a sua genitora com parte do rosto, depois da porta, para o corredor.
- O que aconteceu mãe?
Procurando a face da filha, a mulher disse:
- Acho que D. Octávia foi para algum lugar. Deixou a filha sozinha na casa, e a menina chamou uns amigos. Devem estar fazendo uma festa de arromba. Credo!

Foi a mãe fechar a porta, ouviu:
"Toc, toc, toc...".
Sem pensar muito abriu o compartimento:
- Chame a polícia!
- Por quê?

Se tratava da viúva Selma, apartamento ao lado do deles, quem solicitava socorro.
Agora, filha e mãe, com uma das mãos na altura dos seios, pareciam assombradas.
- Se não chamar a polícia, esses pestes não vão parar cedo com a bagunça. D. Octávia viajou, e aquela filha dela rebelde que não respeita ninguém, deve ter convidados uns sem vergonhas, e estão badernando a casa da mulher. Que sofreu tanto para comprar esse apartamento. Pense, são quase meia noite!

Aos passos lentos e de cabeça baixa, a mãe caminhou para próximo a um criado mudo.

Apanhou o telefone por de cima do móvel e discou o cento e noventa.

Em silêncio, a filha voltou para o quarto, com quatorze anos, não tinha muito que opinar nessas intrigas dos mais velhos. E não era a primeira vez que ouvia que sua amiga Bruna, aprontava uma daquelas pelo início, ou, fim, das madrugadas.

A filha pensou que se o seu pai não fosse professor da UniCentro, aquela hora da noite, ele já estaria em casa.

Entre fechar a porta do quarto, voltar a buscar o livro, fazer umas breves leitura nele, ouviu; "Toc, toc, toc...".
- Filha!
A menina de volta calçou os chinelos e foi rápido descobrir o que sua mãe queria.

Ao que enxergou que a mulher estava um pouco mais maquiada que o normal, havia se arrumado e parecia conferir alguma coisa na bolsa pendurada no seu ombro esquerdo, disse:
- Foi a Bruna. A polícia chegou. Acho que pela rapidez, havia uma viatura passando aí por frente do prédio. Me explicaram que como fui eu quem liguei para eles, tenho que os acompanhar até a delegacia, para prestar a queixa contra a filha de D. Octávia.
- Mas o que aconteceu mãe? - de volta mãos até a altura dos seios a filha. Fazia uma expressão de perturbada.
- A Bruna estava bêbada. Desacatou as autoridades. Entraram na casa dela e um dos amigos, segundo a vizinhança, estava escondendo droga na casa. A polícia encontrou tudo. Disseram que se por gentileza, eu poderia os acompanhar na delegacia. Jogo rápido. Só como testemunha, para a formulação do BO.

A dona da casa virou as costas e alertou a filha:
- Cuide de tudo! Já volto da delegacia. Não mexa com o gás e, se revolver ir tomar banho, não demore tanto embaixo do chuveiro. Seu pai já chega. Tchau!

E a garota enxergou quando a mãe passou o esquadro da porta e foi para o corredor dos doze apartamentos do quarto andar, do Edifício Norte/Sul Libras, que moravam.

Provavelmente, os policiais iriam dar-lhe carona. Tendo em vista que, no estacionamento do prédio deles, a família não tinha nenhum automóvel no estacionamento.

De cabeça baixa a menina voltou a se acomodar na cadeira rente a escrivaninha do seu quarto.

Raciocinou que enquanto a sua mãe não chegasse, ela não iria conseguir dormir.

Na página certa de um dos livros de Machado de Assis, voltou a se concentrar no capítulo perdido, o qual se entretia antes daquela confusão começar.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).


Quase segunda-feira

Alice saiu por volta das oito e quinze e avisou Silvestre que o defunto, por ser uma das irmãs que participava da "Legião de Maria" junto com ela, ficava feio não aparecer no velório, que estava sendo realizado na nova Capela Mortuária, poucos metros da casa da família.

Segundo Alice, quem estava sendo velado, nem era "assim" uma amiga de longa data, ou, muito menos colega de infância. Mas a participação na reunião fúnebre, seria mais por respeito, do que quem sabe?, por saudade "um dia" do ente querido de algum morador conhecido.

Por volta das oito e quarenta apareceu, o vendedor de verduras.

Na verdade o motorista da Kombi era um tio da família e o acompanhante dele, um amigo de longa data do sogro de Silvestre.

Se precisavam tanto do que eles vendiam: alfaces, cebolinhas, cenouras... nem era por isso.

Mas por não fazer desfeita aos dois caboclos que apareciam em toda vizinhança trabalhando desde cedo, por isso, a família comprava os alimentos.

Antes dos homens irem embora, era o dialogo automático do tempo; como andavam as coisas na fazenda e; um dos filhos que havia entrado trabalhar na polícia - se estava tudo bem com ele.

Em seguida, eles embarcavam de volta na Kombi e sumiam procurar outros fregueses (no bairro).

Por volta das nove e pouquinho, apareceu a vendedora de leite.

Na verdade, ela vinha só entregá-lo.

Alice acertava todo mês a conta com ela.

O bebê de ambos (Alice e Silvestre), tinha o intestino preso. Só o leite de vaca é que ajudava o caçula a não sofrer tanto na hora de defecar.

No fundo, depois que a sogra orientou Alice tentar essa saída na ajuda do filho e, o médico do posto de saúde vindo a confirmar que isso era bom, ela não perdeu tempo e já tratou de acertar uma conta com uma conhecida de uma conhecida.

No portão da casa, novamente, após breves diálogos sobre o tempo; como andavam as coisas na fazenda e; um cachorro vira lata que vivia incomodando que atravessava a via pública de carro, a vendedora de leite sumiu com a sua barra circular, no asfalto.

Coitado da mulher, também começava a se virar desde cedo. Entregava a bebida na casa dos outros, sobre o relento do sol quente, ou, embaixo dos épocas congelantes.

Às dez, apareceu um motoqueiro em frente a residência.

Chegou a buzinar uma duas vezes.

Espiando o homem pela janela, Silvestre correu para debaixo da fruteira.

Apanhou cento e cinqüenta reais e foi entregar ao cobrador do "Esporte Clube Guarapuava".

Caminhando até o portão, tinha dó de dar aquela quantia para o clube, onde poderia gastá-lo em outra coisa.

Mas a sua filha gostava freqüentar a aula de natação do estabelecimento privado.

Silvestre, sempre quando não estava trabalhando, ia cedo também na instituição fazer musculação.

Nem era muito para ficar forte, musculoso. Sim, mais mesmo era para gastar o tempo em fazer algo útil em sua vida, e, não fosse pego de surpresa qualquer horas dessas, por um derrame inesperado. Como já havia ouvido falar da catástrofe sobre outros colegas seus.

Ao que trocou breves diálogos com o motoqueiro do Esporte Clube Guarapuava sobre o tempo, e, outras regalias que o clube oferecia: churrasqueiras, parquinhos e acampamentos de férias, se despediram e Silvestre voltou a se acomodar no sofá da casa.

Não deu quarenta minutos, a esposa apareceu.

Se jogou ao lado do marido e disse:

- Não fiquei para o enterro. Ia perder muito tempo. Estava pensando em irmos para o centro agora, comprar o uniforme da menina e, depois, almoçamos por lá mesmo. O que você acha?

- O enterro tava bom?

- Existe enterro bom homem? - face estranha de Alice.

Logo se levantaram.

Alice puxou o marido e foram juntos caminhando para o quarto.

Quando saiam para lugares onde poderiam encontrar com qualquer um pelas ruas, Alice gostava de escolher a roupa do marido.

Silvestre só tinha idéias para que no outro dia, talvez ele não fosse tão igual como essa quase segunda-feira.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).   

EU SOU A LUZ DO MUNDO; QUEM ME SEGUE NÃO ANDARÁ EM TREVAS, MAS TERÁ A LUZ DA VIDA (João 8:12).

Coitado


Nunca gostamos de trabalhar.
Me lembro, minha mãe preparava cuscuz, para que eu fosse vendê-lo na rua.
Irritado e confuso, eu obedecia às palavras dela.


Nunca gostamos de trabalhar.
Às vezes, era com a caixa de engraxar sapatos, que eu ia tentar ganhar dinheiro.
Irritado e confuso, eu seguia o instinto do correto. 


Nunca gostamos de trabalhar.
O ordenado do meu pai, era pouco. O tempo (que ele trabalhava na padaria), era longo. Na verdade, eu nunca soube o quanto ele dava de lucro, para o patrão.


Nunca gostamos de trabalhar.
Éramos em seis. Depois apareceu mais um. Que diferença faria, eu, com meus irmãos, não íamos deixar de trabalhar na rua de qualquer jeito mesmo.


"Nunca gostamos de trabalhar".
No mundo, eu aprendi esse dizer. Por que para muitos, quem não tem carro, moradia, profissão, é assim que o mundo trata. Quem não tem dinheiro, estudo, ou, herança, ninguém se importa, ou, pensa em dar muita atenção.


Nunca gostamos de trabalhar.
Coitado de minha mãe. Deus a tenha. Penso no tanto que ela foi importante em minha vida. Sempre, preocupada, em não me transformar num "vagabundo". 


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).


Premeditação

Uma semana atrás
(arma: gatilho, dedo, tiro.
Doença: alvo, impacto, morte.
Dor: esquife, cemitério, barro, lápide...).
E amanhã?

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Um momento

Como foi bom aquele momento.


Foi no chalé.
Tomamos meia garrafa de chanpagne.
No nosso bate-papo, falamos sobre a Legião Urbana, Clarice Lispector, Marília Pêra...


Como foi bom aquele momento.


Eu nunca pude estar em Veneza.
Mas havia um tio seu que morava lá, não foi difícil você acrescentar coisas dos rios, das pessoas, das tradições gastronômicas... de lá, no nosso meio.


Como foi bom aquele momento.


Aquele filme com o Al Pacino, distraídos com a nossa interlocução, percebemos que ele havia chegado ao hospital, depois daí, as palavras saindo dos nossos lábios, foram mais interessantes que a ficção.


Como foi bom aquele momento.


Na madrugada, barulho de chuva.
"É sempre assim por essa região?".
Sopro forte do vento nas venezianas e o teto pareceu se mexer.
Para toda uma tarde ensolarada, coisas inesperadas, agora, acredito, acontecem.


Como foi bom aquele momento.


Como foi importante te conhecer na escola.
Tinha certeza, na universidade, eu não iria encontrar ninguém como você.


Como amo "tão" aquele momento.


Sem professores, os colegas, as preocupações dos dias tediosos em casa. Só tenho lembranças do que foi, não volta mais e, as situações perdidas naquele tempo, que ainda permanecem em mim.
Meu tênis rasgado, aonde nasci, quem eram os meus pais, se eu tinha o rosto desse jeito, ou, daquele, ou, assim... nada importava. Nós sabíamos muito bem.


Como foi bom aquele momento.


Chalé, champagne, filme, madrugada, lembranças e nos dois juntos.


Como foi bom aquele momento, que sou bem testemunha, ele nunca existiu.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).


O outro

Entender:

o que deu errado,
no casamento alheio,
(com tudo que ouvimos, ultimamente, os divórcios andam aumentando no planeta),
e tentar se afastar,
desse ciclo contaminado
(é uma saída).

Aceitar:

vivemos num mundo,
com um nível altíssimo de desigualdade social,
e a inclinação para a prostituição,
drogas,
e gastos em coisas supérfluas,
é um erro que todos devem corrigir
(pode ser outra observação).

Sermos imparciais:

naquilo que ganham,
nas costas dos iletrados,
mesmo sabendo que os luxos,
as comidas,
e as facilidades desses capitalistas,
mesmo nos deixando entristecidos,
embaixo da terra,
no futuro,
todos virão a ser comida de minhoca,
de qualquer jeito
(é outra ideia).

No final do final,
orar mais para esses que pregam,
o que "querem pregar",
longe da verdade,
longe da mentira,
eles tentam alcançar o ápice,
de uma utopia.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR). 

LER E CRESCER: POUCAS PÁGINAS QUE TE LEVAM À UMA LONGA HERANÇA.

Novidade: 

Está disponível no "Sebo Center" (ao lado do Colégio Estadual Francisco Carneiro Martins), na "Prima Banca" (interior do Super Pão. Junto com o pátio recreativo de alimentação) e, na "Livraria do Chain" (localizado no pátio interno da UniCentro) o livro do escritor Denis Santos, chamado: "Escolhas" (2017). Sinopse: "A infância de uma criança que tentava resolver seus conflitos corriqueiros, na base da violência. Passa pela adolescência e, quando chega a fase adulta, o confronto com a polícia. Ainda, os lugares e os personagens da trama são fictícios, porém, a história nasceu de um fato real". 

Em qualquer livraria o valor do livro é 20.00 (vinte) reais. "Espero que gostem da novela/policial. Um forte abraço". Denis Santos.

Para quem não conhece o "Sebo Center" ele está localizado na rua Capitão Rocha, Centro, Guarapuava (ao lado do Colégio Estadual Francisco Carneiro Martins). Tel: (42) 3627-2846.

Para quem não conhece a "Prima Banca" ela está localizado na Av. Pref. Moacir Júlio Silvestre, 901, Centro, SL 2, Guarapuava. Tel: 3623 -8724 (interior do Super Pão. Junto com o pátio recreativo de alimentação).

Para quem não conhece "A livraria do Chain" ela está localizada na rua Padre Salvador Renna, 875 - Guarapuava. (interior da UniCentro). Tel: (42) 3035-6806.


Obs: Se você não mora em Guarapuava, se quiser, pode solicitar a compra do livro por qualquer canal social de Denis Santos (o que você achar mais conveniente: WhatsSap, e-mail, ou, telefone). Enviamos o livro "Escolhas" (único em estoque) para qualquer lugar do país e "não cobramos frete". Parabéns. 


              

Para que Cristo habite, pela fé, no vosso coração (Efésios 3: 17).



Que pena

Com a história de uma troca de tiros na Av. Pedro Simão, entre policiais e assaltantes, José chegou na Bodega do Gilmar, e foi logo contando o episódio para os companheiros de copos.

Alguns desconfiados, outros achando que o causo era tudo verdade, foram se distraindo numa harmonia límpida

No outro dia, em meios aos colegas da "Empresa Plac Plac", José discorreu para os companheiros, o último filme que havia assistido: "As pontes de Madison".

Em meio a desconfiarem, concordarem e se descontraírem, da narrativa, do longa-metragem, para uns, foi a mesma coisa que já estivessem assistido ao filme. "Que beleza", pensou.

No domingo, depois de chegar da missa, logo após o almoço, alguns parentes vieram lhe visitar.

José não perdeu tempo e, do testemunho que viu e ouviu na igreja (um dos irmãos havia perdido o filho para o câncer, naquela última semana), José foi logo passando a tristeza da família, para os que estavam na sala. Faces sempre atentas a como o homem se expressava, nas consoantes e vogais.

Foi daí que surgiu-lhe um pensamento que, pareceu-lhe, ser uma ideia boa.

Poderia trazer para as folhas de papeis, os episódios, mentiras/verdades (do cotidiano), desses que encontrava sempre por aí.

Afinal, sempre tinha tantas histórias.

Passando-se um tempo, depois do livro publicado, foi vendê-lo na Bodega do Gilmar, na "Empresa Plac Plac" e fez uma tarde de autógrafos para os parentes.

Nada saiu como ele imaginou. Quase ninguém se interessou pelo seu book.

Explicaram, os mais chegados, que o livro dava preguiça de ler; faltava tempo; chegava o sono (letras pequeninas, são como barulho de chuva), e, no fundo "tudo é muito cansativo". Diferente de conversar, conversar, conversar...

José, com os livros dentro de uma bolsa muito parecida com uma valise, ficou entristecido. Afinal, era feliz, por pensar, ainda ter "tantas" histórias para colocar no papel. Que pena.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



O homem no portão

Que sensação esquisita.

Tem um homem no portão que, parece, sempre, estar esperando alguém.

Ele mora sozinho.

Sua mãe, pelo que sei, já morreu.

Seus filhos(as), se é que existem, nunca apareceram nos finais de semana, na casa desse homem no portão.

Será que ele vive triste?

Será que ele vive sem esperança?

Quem será que esse homem espera no portão?

Um otimismo telepático?

O tempo ir embora?

A felicidade numa outra vida?

Que curiosidade a minha, em ver esse homem no portão, espiando, todos os dias, os carros, os transeuntes, os animais perdidos nos asfaltos... que passam.

Que dó, desse lado, em ver esse homem no portão.

Não sei o seu nome, sua religião, ou, onde ele nasceu.

Sei que é um homem estranho que, talvez, não seja poeta, traficante, ou, missionário...

Conheço-o apenas, como o homem no portão.

Será que ele acha que sou seu inimigo?

Poderia ser seu amigo?

Esse é o homem no portão.

Coisa esquisita a minha de, descrever "um", que não é "parecido", com tantos outros "idosos".

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Sucesso acelerado


Havia sido uma viajem mais tranqüila do que o esperado.
   Mesmo o carro sendo uma Montana (cor vermelha), essas estradas pelos interiores dos municípios, sempre, são uma incógnita.
   Do nada, às vezes, aparecem chuvas inesperadas; do nada, às vezes, aparecem pontes que, pela conservação, deixam qualquer um desconfiado ao passarem por elas e; do nada, os buracos, pequenos, por essas estradas que entram para as florestas, já houve histórias que estouram até eixo de caminhão, quanto menos, se for pneu de um automóvel um pouco mais baixo. Então, o cuidado é sempre uma: "regra".
   Mario estacionou o veículo, com cuidado, poucos metros da porta da sala, da sua nova casa de campo.
    Sua filha Anita estava feliz.
   Sua mulher Raquel, também mostrava-se empolgada em imaginar que, de agora em diante, todo final de semana, iriam para o lugar, calmo, e, esqueceriam o ambiente infernal da cidade. Conviver, parte de suas vidas, com cavalos, bois, patos... era algo que a deixava otimista.
   Foi estarem descarregando os objetos pessoais da traseira da Montana, Raquel percebeu que Anita saiu correndo.
   Quando a menina avistou ao longe, um paiol, onde, galinhas, pareciam conversarem entre elas, num divertimento irregular, poucos metros da residência, a criança não pensou em outra coisa, a não ser conhecer aquilo:
- Cuidado minha filha! Procure ficar perto de casa?!
- Sim, mamãe! - e saiu em disparada. O sinal de advertência, foi a mesma coisa quando Raquel lhe pedia para diminuir o volume do televisor da casa da cidade, e a filha, sequer, se movimentava no sofá.
   Como as outras vezes, numa montanha um tanto que inclinada, cerca de uns duzentos metros do seu terreiro, num movimento solitário, Mario percebeu que um homem (de cabeça baixa, chapéu de palha na cabeça. Vestido com uma bermuda cinza, jeans, e camisa social de cor branca), capinava, num gesto que, pelo movimento e pela quantidade de mato, quem sabe?, numa margem de uma semana, quem sabe?, ele terminaria o serviço.
   Nessa hora, apareceu ao vivo e a cores para Mario e sua esposa Raquel, um sujeito de bigodes ralos. Magro, alto e que vestia um macacão de cor azul. Nos pés, estranho, porque ele sempre se apresentava, descalço.
- Boa tarde, Sr. José? - se tratava do novo funcionário que Mario havia contratado, como caseiro.
- Boa! - sorriso amável do indivíduo que tinha expressão distante e face gorducha.
   Foram descarregando os objetos menores que haviam trazidos na carroceria da Montana, sendo que no dia anterior, a mudança completa, dos moveis, já haviam chegado.
   Em dado momento do trabalho, curioso, Mario quis saber:
- Sr. José!
- Sim! - o empregado largou uma televisão pequena, quatorze polegadas, marca CCE, e mirrou os olhos para o patrão.
- Esses dias que vim visitar a chácara, não pude conhecer aquele vizinho, que, acho, todo dia está carpindo lá no alto da serra. Mas acho que sozinho, ele, não vai chegar a lugar algum.
- Ah! Não se preocupe Sr. Mario. Aquele é o Sebastião. É gente boa. Vocês vão gostar de conversar com ele. Ele era médico. Largou tudo e veio morar aqui também.
   Se abraçando a uma sacola que poderia estar cheia de roupas sujas, que, segundo Raquel, na chácara, ela teria "tempo" de lavá-las, Mario ficou curioso:
- Médico! Morando aí, nesse meio de mato? Que coisa!
   Depois de mostrar o dentes, achando engraçado do jeito do chefe, Sr. José explicou:
- Vou contar para o senhor, o que me disseram. Não sei se a história é certa. Mas... O Sebastião era médico do hospital Santa Tereza. Acho que estava muito descontente com o serviço... sei lá. Mais fizeram a cabeça dele, não sei quem? De embutir na cabeça do homem, que ele tinha que escrever um livro que emplacasse na mídia. Bumbasse. Fosse, um "super lançamento". O homem, pesquisou, pesquisou, pesquisou... E escreveu o tal livro. Vendeu muito. Diz que até no exterior. O homem ficou ainda mais famoso e ganhou um monte de dinheiro... Deu entrevistas em rádios, programas de televisão, ganhou prêmios...
   Silêncio e Mario ouvia a história, atento em cada virgula, vogal e consoante de Sr. José.
- A casa dele vivia visitada por jornalistas, intelectuais, artistas... Gente graúda da elite. Uma vida de cinema. Só que. Com o tempo, outras pessoas, que viam a façanha do médico, de outro jeito, foram analisando o tal livro. Também, aqui, Brasil, quanto no estrangeiro. O que ele escreveu, descobriram, afetou vários órgãos públicos e privados. Começaram a exigir explicação dele, das coisas podres que ele colocou no tal livro, sobre corrupção, drogas, homicídios, reputação dos colegas... Aí, que vem a bomba. Todo mundo deixou o homem "sozinho". Até os que ajudaram no sucesso dele, depois, queriam ele preso. O editor dele, o agente literário, desapareceram da vida do miserável...
   No alto, perceberam que o céu escureceu um pouco. Chuva, já se dava para imaginar:
- Do dinheiro que o médico havia ganho com a vendas dos livros, começou a ter que dar para advogado. Cinco mil, quinze mil, vinte mil... Só que, saia uma instituição do encalço dele, já aparecia outra. De volta mais dinheiro para advogado. Por que o autor do livro era ele. A Culpa foi só para o homem, sozinho...
- Que coisa mais triste, hein, Sr. José?
- Sim! De tanta dor de cabeça, foram ficando pobres. No fim, ainda veio a casacão de exercer sua função no Brasil. Aí, ele veio para essa chácara, meio que escondido. Sempre o encontro bêbado aí pelas beiradas da estrada e levo para casa. Não toma mais banho com frequência, não faz a barba e, uma vez ou outra, uma filha que mora no Mato Grosso, vem aí visitar ele... Mais, acho de dó do pai. Porque perdoar mesmo. Acho que isso, não aconteceu. Se iludir com conselhos de pessoas erradas, pode ser fatal. Não é Sr. Mario?
- Sim! Vamos!
   Ordenou o patrão.
   O chefe com a sacola com roupas sujas em punhos e, seu caseiro com uma televisão de quatorze polegadas rente a barriga, procuraram a entrada da sala da residência.
   Ao passarem por uma porta alta e de estilo praiana, Mario voltou-se.

   Puxou o móvel e só pensava no fogão à lenha, colocar uns pinhões por de cima da tampa dele e, com o novo funcionário, se alimentar, junto com um gole forte de café quente.



Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).

EIS QUE ESTOU À PORTA E BATO; SE ALGUÉM OUVIR MINHA VOZ E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA E CEAREI COM ELE, E ELE, COMIGO (Apocalipse 3:20).

Olhando

Os carros em movimento mostram, que a vida continua.
Os comércios abertos mostram, que existe algo no mundo, para o entretenimento.
A multidão atravessando as ruas, pelas praças, shopping, ou, universidades, mostram que "independente" do que aconteceu ontem, o tempo não parou.


Que fachada é essa?


O gesto do motorista não foi o mesmo de ontem?
O gesto do vendedor de remédios, não foi o mesmo de ontem?
Todas as pessoas caminhando, ou, resolvendo algum problema na vida, talvez, não tenha sido o mesmo de uma semana atrás? Não?


Que fachada é essa?


Doenças, falta de empregos, falta de uma "oratória" teórica eficaz para a saída à um mundo melhor! Cadê?!
Que fachada é essa?
É a fachada da "repetição" que, se ela não existisse, o poeta não teria função.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).  


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O lobisomem                                                                                                                            

   Pelo retrovisor da viatura, o soldado Franz enxergou que um homem de cabelo grisalhos (depois do carro passar por ele), pareceu acenar para que eles parassem com o automóvel.
- Hein! Encoste. Acho que tem um cara ali, querendo conversar com nós.
   O militar Pollack, concordou com o pedido do companheiro e, num gesto rápido, num canto apropriado próximo ao meio fio da calçada, estacionou o veículo do Estado.
   Bufando, o estranho chegou pela porta do passageiro.
   Disse:
- Boa noite policiais?
- Boa noite! Do que o senhor precisa de nós?
- Bom. Eu moro lá na Localidade de Palmeira Velha. É que lá na chácara onde moro, faz tempo, tava tendo furtos de galinhas, milhos da nossa plantação...
   O policial, percebendo um pouco de cansaço pelas bufadas que ele soltava, e, testemunhando que "realmente" ele talvez fosse do interior, orientou:
- Se acalme senhor. E explique com mais calma...
- Pois bem - além dos dentes todos amarelos, dois, do lado de cima da frente, estavam faltando - Aí. Um compadre meu, apareceu em casa na semana passada, contando um causo de um lobisomem na região.
   Tanto o giro flex, quanto o motor da viatura, permaneceram ligados. Talvez, o policial Pollack, achasse que a orientação não demorasse tanto, naquele início de madrugada, com o agricultor.
   O homem continuou:
- Aí, eu, meu irmão e esse mesmo compadre meu, resolvemos ficar de campana essa madrugada, para ver se capturava esse lobisomem.
   O interrompendo:
- Já sei - o soldado Pollack fez uma face cômica - Aí, vocês conseguiram prender o monstro!
- Sim. Pós olhe policial. Ontem à noite tava tudo muito escuro. Não foi fácil prender a besta. Tivemos que grudar nele de madrugada. Surrar, surrar, surrar... Até o bicho ficar tonto, e não conseguir machucar a gente e também não sair correndo. Até minha mulher ajudo, com um pedaço de pau. Depois, de madrugada mesmo, conseguimos amarrar o bicho no nosso paiouzinho lá em casa. Agora que vem o problema... - o cortando.

- O quê? Vai dizer que o lobisomem escapou?

- Não é isso policial. Mas acho que ele se transformou em homem. Agora não sei se o delegado para querer prender ele desse jeito.

Autor: Denis Santos. Guarapuava PR. 

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Eu não te acho interessante

Eu não te acho interessante.
Eu não iria gostar de conversar com você.
Não parece que nós nos conhecemos faz tempo. Onde, as idéias batem uma com a outra.
Não tem nada em haver com a roupa que você usa, seu corte de cabelo, ou, para a música que você deva gostar de ouvir.
Ficar aqui, parada, não vai ajudar.
Tenho outra coisa para fazer na cidade. Mesmo que não tivesse, qualquer pormenor, já seria suficiente para ficar longe de você.
Não esqueci algo com a recepcionista.
Não estou esperando ninguém (fazer uma pergunta), sobre uma dúvida qualquer.
Nada.
Nada, para que pudesse ficar parada, enganando minha vontade de te conhecer. Eu não te achei interessante.
Mesmo deixando pensamento, dor, ou, qualquer outra palavra que você queira expor, a mulher tem o direito de escolher.
Agora! Feche essa porta e deixe eu descer. Tem mais gente querendo usar o elevador.
Você não percebeu, mais estou me atrasando, perdendo meu tempo com você.
Já, já vai aparecer outra para ouvir você dizer que ama, ama, ama...
E você sabe, todos, como eu, já escreveram um poema "sincero".


Autor: Denis Santos (Guarapuava).  


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Logo

A neta entrou na sala (bufando) e encontrou a vovó tricotando:
- Vovó, essa foto é do vovô já falecido?
Entregou o retrato para a mãe de sua mãe e permaneceu em silêncio.
Depois de abaixar o volume do televisor, a idosa explicou:
- Sim! Seu vovô foi um policial que nos últimos dias de farda, ficava lá na guarita da penitenciária, tomando conta daqueles presos, para que eles não fugissem.
- E porque eles ficavam presos, vovó?
- Ôh...! Minha querida. Os presos foram homens maus. Que mataram, roubaram, traficaram drogas...
Logo, espiando um indivíduo de terno e gravata na televisão: cabelos presos com um gel brilhoso, onde, quem o entrevistava, explicava que ele era o segundo sujeito mais rico do Brasil (comandava a empresa herança dos pais), a neta perguntou:
- E aquele homem ali vovó - apontou com o dedo médio - Ele também é preso? 

 - Claro que não menina. Nem todo mundo é preso. Se todo mundo fosse preso, quem ia inventar penitenciárias, armas, drogas... 

Autor: Denis Santos. Guarapuava PR. 

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O pudim

  Foi o tenente Bruce chegar na cozinha do Destacamento policial de Pertolópolis, já abriu a geladeira e deixou no interior dela, um pudim de sabor chocolate.
   Rápido, voltou para frente do órgão público, porque percebeu que tinha ouvido o capitão Casey, gritar seu nome.

   Não deu dez minutos, apareceu na cozinha de volta ( depois de ouvir as orientações do capitão, tendo em vista no outro dia cedo, as várias viaturas espalhadas pela cidade, onde, o governador de Estado, estaria se reunindo com o prefeito, vereadores e outros deputados estaduais do município, dando sequência a sua agenda política do mês, na preparação das eleições que se aproximavam).
   No cômodo, o tenente Bruce só encontrou o soldado Tom, rente à mesa, que, olhando um prato vazio, colher em mãos e lábios se locomovendo meio que lentamente, parecia distraído.
   Suspeito, o tenente Bruce, de volta, abriu a geladeira.
  Não enxergou o seu pudim de sabor chocolate, preparado por sua esposa, no interior de uma das repartições do eletrodoméstico.

   Foi curto e grosso, fechou os semblantes e, jogando raios de fogo para cima do soldado Tom, perguntou:
- Não é que eu deixei um pudim na geladeira e o comeram, sem a minha autorização?
- Não se preocupe tenente. Aqui no Destacamento não tem policial dedo duro, mas quando eu achar esse intrometido por aí, eu já entrego ele para o senhor!


                                              Autor: Denis Santos (Guarapuava PR). 

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Caminhada

Caminhando em silêncio,
contando os paralelepípedos, imagino, parecem focados.
Mesmo sob a neblina e o ambiente frio do momento, eles dão os passos, concentrados.
E os outros, logo atrás?
Aonde moram?
O que pensam, e, o que fazem?
Os pêlos do seus braços, aquecidos, com as mangas de algodões, eles caminhando, parecem apressados.
Que vontade será eles teriam de não morar?
Que vontade será eles teriam de não pensar?
Que vontade será eles teriam de não fazer nada?
Será? O amor verdadeiro em suas vidas, que não vão encontrar em casa?
Será? A ignorância, a corrupção, o medo... do mundo?
Será? Suas mãos enrugadas, seus rostos com pés de galinhas, suas pernas e mãos fracas?
Será?
Quem será eles, que não seja, eu, ou, você?!

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).


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Resolvendo

   Foi o dia que não foi te dado "bom dia" por todos.
   O momento exato do almoço, não foi aquele combinado.
   A conspiração ao seu desfavor, não foi expresso na sua cara, mais ela existiu em qualquer sala pelos cômodos.
   Ouvindo coisas sobre políticos investigados; a final do campeonato brasileiro; a dor de alguém internado em algum hospital, ou, já falecido e; a idéia de perdoar o seu irmão, acreditando que após a morte você terá a vida eterna, você terminou o dia "resolvendo".

                                      Autor: Denis Santos. Guarapuava PR.  

 

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Supernatural

- Central, é a quinze! - soltou o botão do maic da viatura, o policial Johan.

   Estavam em uma rua erma: por toda a extensão da via pública, de uma esquina a outra, silêncio total; uma ventania levantava algumas folhas secas do asfalto e; eram duas e meia da madrugada.
- Prossiga para a Central!
- Patrulhamos todos os cantos do local da ocorrência, mas não foi encontrado nada de anormal nas imediações. Se havia som alto em alguma residência, acho que o infeliz parou com a bagunça.
   O bairro à quinze minutos afastado do Centro de Lilópolis. A lua estava cheia. Pela força do vento, os policiais deduziram que mais para o fim de seus turnos, talvez caísse uma chuvinha qualquer.
- Positivo. Se não foi encontrado nada pela equipe, podem encerrar a ocorrência e voltar para o patrulhamento normal. QSL?
- QSL! - ao que encerrou a comunicação com o rádio operador, Johan perguntou para o seu companheiro de serviço naquela noite:
- Você assiste algum seriado?
   Pegaram agora uma viela onde muito dos arvoredos pelas calçadas, muito dos galhos desses, quase tampavam a passagem, quando um automóvel qualquer estivesse em movimento.
- Sou aficionado por The Walking Dead e Supernatural. Assisti os episódios que passaram na televisão e tem muito das temporadas, que já comprei em DVD. Você assiste algum? - perguntou o fardado Harris.

   Estava esperto na boleia da viatura. Principalmente, depois que fossem atravessar um trilho de trem e pegariam uma estrada aburacada (caminho de volta para o Centro de Lilópolis). 

- Gosto de Peny Dreadful, Chicago Fire e Chicago P.D! 

 Rápido o soldado Harris perguntou:

- E por quê você assiste isso?

   Achando estranho a interrogação do colega, Johan ergueu os ombros, fez face investigativa e respondeu:

- Ué! Por que eu gosto! Qual o problema?
   Pisando na embreagem, saindo da quarta marcha e passando para a quinta, rosto focado, Harris quis saber: 

 - Você não acha que é muita ficção?

                                       Autor: Denis Santos. Guarapuava PR.  

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Status na sociedade

Deus não me deu um rosto bonito.

Deus não me deu uma vida fácil.
Deus não me deu status na sociedade.
Deus não me deu uma família perfeita, que não conhecesse o pecado.
Mesmo sem o rosto bonito, mesmo sem a vida fácil, mesmo sem o status na sociedade e, mesmo sem a família perfeita... certeza, 
se eu tivesse "tudo" isso, 
eu não teria prova, 
para acreditar que "ele" existe.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).

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A estante

Tenho certeza que um dia iremos mudar o mundo.

Acabaram as guerras pelas riquezas de cada país.

Sumiram todas as doenças incuráveis (principalmente as de alienação e ignorância).

Daqui um tempo, o homem começara a ver outro homem diante dele, não como um inimigo - traidor - mais como pertencente a uma condição humana, que precisa de reparos.

Tenho certeza que um dia iremos mudar o mundo.

Quem não estudou tanto, tralhando, não precisará viver esquecido a vida inteira, para ter uma vida digna, porque haverá solidariedade para com sua função.

O filho do filho, nunca mandará em nada, a não ser que ele construa algo com o suor do seus punhos, para comandar.

Tenho certeza que, um dia, ainda iremos mudar o mundo. Quando eu e meus companheiros, aqui, parados, o qual somos chamados de "livros" entrarmos nas idéias de todos os indivíduos que entram e saem dessa sociedade e, a reflexão, não seja única.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR). 

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Outros sites do universo, literário clique no link abaixo:

www.tirodeletra.com.br

https://www.candido.bpp.pr.gov.br 



PORQUE EU, O SENHOR, TEU DEUS, TE TOMO PELA TUA MÃO DIREITA E TE DIGO: NÃO TEMAS, QUE EU TE AJUDO (Isaías 41.13)

A tarefa

Com o puxar da coberta, Jorge percebeu que era hora de acordar (estudava no turno da manhã).
Com o corpo pesado, cabeça perturbada e, se pudesse, continuaria a dormir, atendeu ao pedido de sua mãe, quando ela ordenou:
- Acorde menino, senão vai chegar atrasado!
Foi com gestos lentos que se descobriu de tudo, caminhou até a cômoda, apanhou o seu uniforme (corriqueiro da instituição de ensino).
Se vestiu e andou até a cozinha.
Rente a mesa, uma chaleira.
O liquido no interior dela, frio.
Sua mãe pregava que se fosse esquentar a bebida, poderia faltar gás para o preparo do almoço.
Um pão do dia anterior. Uma, ou, duas passadas de manteiga no meio dele, seria suficiente, segundo o seu pai, para aguentar até a hora da merenda na escola. "Quando eu tinha a sua idade, nem isso tinha em casa", quase todos os dias, Jorge ouvia a lamentação do seu genitor.
Entre sentir frio no braço, vontade de comer mais um pedaço de pão, ou, uma bolacha recheada, se houvesse?, testemunhar as teias de aranhas pelo teto de madeira da cozinha, o piso de vermelhão, cheio de buracos (parecendo um campo minado) e as tabuas das paredes, cheia de peças, já, podres, Jorge apanhou a sua mochila, por de cima do fogão à lenha e depois de deixar a porta que dava para o quintal, disse:
- Tchau mãe?!
- Tchau filho...
Cerca de duzentos metros da casa, seguindo um carreiro de capim alto derredor, próximo a uma cerca de madeira pintada de branco, esperaria a van escolar, que o deixaria no colégio Padre Chagas.
Não deu cinco minutos, percebeu quando o automóvel apareceu depois da curva e deixando um pó alto na estrada, estaria pronta para que ele embarcasse nela.
Foi o veiculo, com cuidado, estacionar, como de todo os outros dia da semana, Jorge tirou a sua mochila das costas, levou para frente da barriga e, rapidinho, como ajuda de uma outra criança que abriu a porta de ferro do carro, se acomodou em um dos bancos almofadados do transporte.
Dali, até a cidade, como era legal: sentiria um friozinho no estomago, quando passassem por de cima da ponte de madeira, dois quilômetros adiante; ia conversando com seus colegas, passagem bobas do fim de semana; por entre as outras fazendas, enxergaria: cavalos, plantações, pinus de doze metros de altura que sumiam para o céu...
No asfalto, era: os sinaleiros, os prédios erguidos de concreto, mercados, lojas, a catedral central...
Fim da locomoção, foi a corrida até a sala de aula, se aprumar em sua cadeira e aguardar o professor, que, sempre esperava que todos os alunos se acomodassem primeiro rente as carteiras, depois ele chegaria trabalhar.
Entre sair da van escolar, debaixo de algazarras, empurrões, gritarias, e esperar a fila até a marcha para a sala de aula, foi o professor Henrique de geografia que mais uma semana letiva, estava começando a partir desse momento:
- Bom dia crianças...
- Bom dia professorrrrr..... - todos num coral só, numa harmonia fora de tom, responderam.
Depois de fazer a breve chamada deles, contar uma piadas sem graça, e dar uma ajeitada no seu jaleco de cor branco, o professor orientou:
- Tragam a lição de casa, classificação das nuvens, estratiformes, fibrosas, cumuliformes, para que eu possa dar uma conferida...
Aquilo para Jorge, como de todas as outras vezes, desde de quando chegou na sexta serie, foi mesma coisa que um aviso de um parente morto na família. De tanta surpresa.
Única coisa que se lembrava, foi que na sexta-feira, depois que saiu da van escolar, encontrou o tio Paulo próximo a cerca branca da chácara, caído ao chão de bêbado, e o ajudou a levá-lo para casa. Depois, lembrou que a mãe pediu para que ele levasse a Capelinha da paróquia São Sebastião, na casa da tia Lucia, onde, já estava com um dia de atraso. Nesse itinerário, na volta, encontrou como o Serginho e o Pedro, foram juntos pelas margens da estrada, juntar pinhão para venderem para o Sr. Izidoro (única Bodega da região agrária que moravam, faziam uns vinte anos).
"Lição de casa de geografia? Da onde foi que o professor tirou isso?", quis entender o menino.
- Jorge!
- Sim professor...
- Seu caderno, só falta você...
- Eu não fiz a lição professor... - rosto baixo da criança.
Alguns dos seus coleguinhas caçoaram dele, de uma forma tímida.
Com a sua face inchada e seus olhos azuis de raios penetrantes, o professor Henrique só se ateu:
- Se lembre Jorge, a vida não é só vídeo game. Se as tarefas escolares, não houvesse "aprendizado" nelas, elas não seriam solicitadas.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Escrever

Eu, erro quando escrevo.
Quando não escrevo, erro também.
O que será isso?
Escrever é errar?
Ou, o erro é criar o errar?
Acertar, não é uma palavra, ou, melhor, um verbo?
É possível escrever crônicas, poesias, romances... sem um verbo?
Eu, erro quando escrevo.
Confesso!
Sempre sofro nocaute pelo erro, mas continuo a escrever pra você.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).




Alerta

Depois que a lua chega, sempre
(do outro lado do vidro), 
observo, calculo,
quem acelera,
mas poderia estar em casa.


Com meu carro:
corri,
troquei a marcha,
corri,
mais ainda,
reduzi,
corri,
acelerei,
mais ainda,
reduzi,
tarde demais....


Quando as estrelas enfeitam o céu,
tempo quente, ou, frio,
quando relâmpagos cortam o céu,
com ventania, ou, trovoada,
(desse lado do som do rádio),
observo, calculo,
quem acelera, 

(mas poderia estar em casa),

para o IML,
cedo demais.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Surdina

Quem amamos, nem sempre estará conosco.
Somos assim: porque fingimos que isso, não fará falta.


Mesmo entre todos,
às vezes, nos sentimos invisíveis.
Sabemos que nosso modo,
(de ver as coisas),
nem sempre fabricam consertos.


Somos assim: porque mesmo sofrendo,
temos dó desses fantoches,
que nem nós conhecem,
e já sabem quem somos.


Somos excluídos, pelo nosso nível de conhecimento, nossas roupas, o que temos e não temos...
Somos assim: porque mesmo em contato com esses que não enxergam nossos corações, a vida "inferior" desses nossos oponentes, nunca estará estampado em suas faces, nem em seus dinheiros (é tudo na surdina).


E, o pior, de sermos assim?


Só pode ser que entendemos,
quem não nos entende,
e, querendo ou não,
fazemos parte deles.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Tão perto da verdade

Foi aqui que li, que um cadáver foi desenterrado, sem a autorização da família, com intenção de inocentar um empresário.

Foi aqui que li, que um padre não testemunhou a verdade, diante do conselho diocesano, evitando um escândalo católico.

Foi aqui que li, que um policial deu um tiro num inocente, num terreno baldio, confundido-o com um bandido.

Foi aqui que li, que um professor abusou de sua função de servidor público e discorreu para os educandos, coisas torpes do governador.

Foi aqui que li, que a garota que trabalhava no hotel, não conseguiu casar com aquele astro do rock, mais foi feliz num outro matrimônio.

Tudo isso escrito, nas páginas da ficção, às vezes, tão longe da curiosidade, mas tão perto da verdade.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).

Importante: “Talvez” você não saiba. Mas Sites ou Blogs na Internet que “basicamente” tratam de “literatura”, ou, “cidadania”, ou, “citações bíblicas” tendem a não ter “vida longa” na vida de adolescentes e adultos nos dias atuais (que ainda desconhecem a importância dos “livros” em suas vidas). Vídeos, shows, filmes, games e novos programas televisivos... “geralmente” são os espaços que mais tomam conta do cotidiano dos que “ainda” não entenderam que a “leitura”: seja de livros técnicos, auto-ajuda, religiosos, didáticos... é que faz crescer a opinião analítica “pessoal” da realidade do mundo que todos nós estamos inseridos. Onde, nem sempre tudo é muito “fácil”: emprego, saúde, moradia, alimentação... É sábio que escritores, educadores, jornalistas, filósofos, sociólogos, missionários, profissionais de várias áreas (Direito, engenharias, artísticas...) se empenham todos os dias em não deixar nossa sociedade “desigual”, tão mais “desigual” do que ela já é. Mas... Nem sempre o sucesso é alcançado. Assim, é debaixo dessas palavras que peço para você: “Se você gostou desse Blog, não deixe que ele seja mais um na Internet que, daqui um pouco, vai ser esquecido”. Seja no trabalho, para amigos, parentes, conhecidos... sempre na “medida do possível”: compartilhe-o. Obrigado. Denis Santos.