"Guarapuava: literatura, cidadania e leitura em movimento"

Que bom que você chegou! Seja muito bem vindo(a). 

"O site onde o 'conteúdo' é 'pensar' a sociedade".

LITERATURA: IMAGINÁRIO E O QUASE REAL (TANTO FAZ...) O MAIS PORTANTE, É AQUILO QUE NOS TIRA DA PRISÃO MENTAL.

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E

CRESCER

Denis Santos

policial e escritor Guarapuavano

   Denis Santos é soldado da polícia desde 2001, e é pai de Ana Júlia e Maria Fernanda.

   Formado em História, pela Faculdade Espírita de Curitiba, já escreveu 22 livros (novelas/policiais) de ficção.

   O referido Blog é para todos que observam o mundo com a arte de "ler" e  "escrever".

Obs: Novidades no site "quase" todos os dias.

    

 



"Ler e Crescer: Poucas
 páginas que
 te levam à uma 
longa herança".


O outro

Entender:

o que deu errado,
no casamento alheio,
(com tudo que ouvimos, ultimamente, os divórcios andam aumentando no planeta),
e tentar se afastar,
desse ciclo contaminado
(é uma saída).

Aceitar:

vivemos num mundo,
com um nível altíssimo de desigualdade social,
a inclinação para a prostituição,
drogas,
e gastos em coisas supérfluas,
é um erro que todos devem corrigir
(pode ser outra observação).

Sermos imparciais:

naquilo que ganham,
nas costas dos iletrados,
mesmo sabendo que o luxo,
as comidas,
e as facilidades desses capitalistas,
mesmo nos deixando entristecidos,
embaixo da terra,
no futuro,
todos virão a ser comida de minhoca,
de qualquer jeito
(é outra ideia).

No final do final,
orar mais para esses que pregam,
o que "querem pregar",
longe da verdade,
longe da mentira,
eles tentam alcançar o ápice,
de uma utopia.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR). 



Ontem
Minha prosa não tem peso.
E nem preciso escolher as palavras mais úteis, no que escrevo, porque 

é na cadência do pensamento (que flui) que sinto prazer.


Essa coisa inexplicável que é o infeliz,
procuro nele, os acessórios dos meus versos. Mas creio que isso não seja a bagagem completa.


Sou livre no que crio,
perto de um rio, na cidade, ou, antes de dormir.


Caminho,
nessa coisa estranha que é entender o mundo.


De onde tirar riso, bondade e respeito?
Hoje em dia, infelizmente, só pode ser nesses corpos, que vivem próximos da barbárie humana, na 

ganância e no orgulho!
São próximo/longe desses,
o qual vivemos embaixo do mesmo sol,
são neles,
sempre,
que fecho minha mala.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).


"Se quiser" visite no You Tube os vídeos/poemas. Digite: "Guarapuava leitura em movimento".

Obs: vídeos/poemas, sempre, de conteúdo lírico, social ou religioso. Conteúdo político, moralistas e fofocas de artistas... já existem na televisão.


Premeditação

Uma semana atrás
(arma: gatilho, dedo, tiro.
Doença: alvo, impacto, morte.
Dor: esquife, cemitério, barro, lápide...).
E amanhã?

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Sucesso acelerado


Havia sido uma viajem mais tranqüila do que o esperado.
   Mesmo o carro sendo uma Montana (cor vermelha), essas estradas pelos interiores dos municípios, sempre, são uma incógnita.
   Do nada, às vezes, aparecem chuvas inesperadas; do nada, às vezes, aparecem pontes que, pela conservação, deixam qualquer um desconfiado ao passarem por elas e; do nada, os buracos, pequenos, por essas estradas que entram para as florestas, já houve histórias que estouram até eixo de caminhão, quanto menos, se for pneu de um automóvel um pouco mais baixo. Então, o cuidado é sempre uma: "regra".
   Mario estacionou o veículo, com cuidado, poucos metros da porta da sala, da sua nova casa de campo.
    Sua filha Anita estava feliz.
   Sua mulher Raquel, também mostrava-se empolgada em imaginar que, de agora em diante, todo final de semana, iriam para o lugar, calmo, e, esqueceriam o ambiente infernal da cidade. Conviver, parte de suas vidas, com cavalos, bois, patos... era algo que a deixava otimista.
   Foi estarem descarregando os objetos pessoais da traseira da Montana, Raquel percebeu que Anita saiu correndo.
   Quando a menina avistou ao longe, um paiol, onde, galinhas, pareciam conversarem entre elas, num divertimento irregular, poucos metros da residência, a criança não pensou em outra coisa, a não ser conhecer aquilo:
- Cuidado minha filha! Procure ficar perto de casa?!
- Sim, mamãe! - e saiu em disparada. O sinal de advertência, foi a mesma coisa quando Raquel lhe pedia para diminuir o volume do televisor da casa da cidade, e a filha, sequer, se movimentava no sofá.
   Como as outras vezes, numa montanha um tanto que inclinada, cerca de uns duzentos metros do seu terreiro, num movimento solitário, Mario percebeu que um homem (de cabeça baixa, chapéu de palha na cabeça. Vestido com uma bermuda cinza, jeans, e camisa social de cor branca), capinava, num gesto que, pelo movimento e pela quantidade de mato, quem sabe?, numa margem de uma semana, quem sabe?, ele terminaria o serviço.
   Nessa hora, apareceu ao vivo e a cores para Mario e sua esposa Raquel, um sujeito de bigodes ralos. Magro, alto e que vestia um macacão de cor azul. Nos pés, estranho, porque ele sempre se apresentava, descalço.
- Boa tarde, Sr. José? - se tratava do novo funcionário que Mario havia contratado, como caseiro.
- Boa! - sorriso amável do indivíduo que tinha expressão distante e face gorducha.
   Foram descarregando os objetos menores que haviam trazidos na carroceria da Montana, sendo que no dia anterior, a mudança completa, dos moveis, já haviam chegado.
   Em dado momento do trabalho, curioso, Mario quis saber:
- Sr. José!
- Sim! - o empregado largou uma televisão pequena, quatorze polegadas, marca CCE, e mirrou os olhos para o patrão.
- Esses dias que vim visitar a chácara, não pude conhecer aquele vizinho, que, acho, todo dia está carpindo lá no alto da serra. Mas acho que sozinho, ele, não vai chegar a lugar algum.
- Ah! Não se preocupe Sr. Mario. Aquele é o Sebastião. É gente boa. Vocês vão gostar de conversar com ele. Ele era médico. Largou tudo e veio morar aqui também.
   Se abraçando a uma sacola que poderia estar cheia de roupas sujas, que, segundo Raquel, na chácara, ela teria "tempo" de lavá-las, Mario ficou curioso:
- Médico! Morando aí, nesse meio de mato? Que coisa!
   Depois de mostrar o dentes, achando engraçado do jeito do chefe, Sr. José explicou:
- Vou contar para o senhor, o que me disseram. Não sei se a história é certa. Mas... O Sebastião era médico do hospital Santa Tereza. Acho que estava muito descontente com o serviço... sei lá. Mais fizeram a cabeça dele, não sei quem? De embutir na cabeça do homem, que ele tinha que escrever um livro que emplacasse na mídia. Bumbasse. Fosse, um "super lançamento". O homem, pesquisou, pesquisou, pesquisou... E escreveu o tal livro. Vendeu muito. Diz que até no exterior. O homem ficou ainda mais famoso e ganhou um monte de dinheiro... Deu entrevistas em rádios, programas de televisão, ganhou prêmios...
   Silêncio e Mario ouvia a história, atento em cada virgula, vogal e consoante de Sr. José.
- A casa dele vivia visitada por jornalistas, intelectuais, artistas... Gente graúda da elite. Uma vida de cinema. Só que. Com o tempo, outras pessoas, que viam a façanha do médico, de outro jeito, foram analisando o tal livro. Também, aqui, Brasil, quanto no estrangeiro. O que ele escreveu, descobriram, afetou vários órgãos públicos e privados. Começaram a exigir explicação dele, das coisas podres que ele colocou no tal livro, sobre corrupção, drogas, homicídios, reputação dos colegas... Aí, que vem a bomba. Todo mundo deixou o homem "sozinho". Até os que ajudaram no sucesso dele, depois, queriam ele preso. O editor dele, o agente literário, desapareceram da vida do miserável...
   No alto, perceberam que o céu escureceu um pouco. Chuva, já se dava para imaginar:
- Do dinheiro que o médico havia ganho com a vendas dos livros, começou a ter que dar para advogado. Cinco mil, quinze mil, vinte mil... Só que, saia uma instituição do encalço dele, já aparecia outra. De volta mais dinheiro para advogado. Por que o autor do livro era ele. A Culpa foi só para o homem, sozinho...
- Que coisa mais triste, hein, Sr. José?
- Sim! De tanta dor de cabeça, foram ficando pobres. No fim, ainda veio a casacão de exercer sua função no Brasil. Aí, ele veio para essa chácara, meio que escondido. Sempre o encontro bêbado aí pelas beiradas da estrada e levo para casa. Não toma mais banho com frequência, não faz a barba e, uma vez ou outra, uma filha que mora no Mato Grosso, vem aí visitar ele... Mais, acho de dó do pai. Porque perdoar mesmo. Acho que isso, não aconteceu. Se iludir com conselhos de pessoas erradas, pode ser fatal. Não é Sr. Mario?
- Sim! Vamos!
   Ordenou o patrão.
   O chefe com a sacola com roupas sujas em punhos e, seu caseiro com uma televisão de quatorze polegadas rente a barriga, procuraram a entrada da sala da residência.
   Ao passarem por uma porta alta e de estilo praiana, Mario voltou-se.

   Puxou o móvel e só pensava no fogão à lenha, colocar uns pinhões por de cima da tampa dele e, com o novo funcionário, se alimentar, junto com um gole forte de café quente.



Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).

Olhando

Os carros em movimento mostram, que a vida continua.
Os comércios abertos mostram, que existe algo no mundo, para o entretenimento.
A multidão atravessando as ruas, pelas praças, shopping, ou, universidades, mostram que "independente" do que aconteceu ontem, o tempo não parou.


Que fachada é essa?


O gesto do motorista não foi o mesmo de ontem?
O gesto do vendedor de remédios, não foi o mesmo de ontem?
Todas as pessoas caminhando, ou, resolvendo algum problema na vida, talvez, não tenha sido o mesmo de uma semana atrás? Não?


Que fachada é essa?


Doenças, falta de empregos, falta de uma "oratória" teórica eficaz para a saída à um mundo melhor! Cadê?!
Que fachada é essa?
É a fachada da "repetição" que, se ela não existisse, o poeta não teria função.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).  


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O lobisomem                                                                                                                            

   Pelo retrovisor da viatura, o soldado Franz enxergou que um homem de cabelo grisalhos (depois do carro passar por ele), pareceu acenar para que eles parassem com o automóvel.
- Hein! Encoste. Acho que tem um cara ali, querendo conversar com nós.
   O militar Pollack, concordou com o pedido do companheiro e, num gesto rápido, num canto apropriado próximo ao meio fio da calçada, estacionou o veículo do Estado.
   Bufando, o estranho chegou pela porta do passageiro.
   Disse:
- Boa noite policiais?
- Boa noite! Do que o senhor precisa de nós?
- Bom. Eu moro lá na Localidade de Palmeira Velha. É que lá na chácara onde moro, faz tempo, tava tendo furtos de galinhas, milhos da nossa plantação...
   O policial, percebendo um pouco de cansaço pelas bufadas que ele soltava, e, testemunhando que "realmente" ele talvez fosse do interior, orientou:
- Se acalme senhor. E explique com mais calma...
- Pois bem - além dos dentes todos amarelos, dois, do lado de cima da frente, estavam faltando - Aí. Um compadre meu, apareceu em casa na semana passada, contando um causo de um lobisomem na região.
   Tanto o giro flex, quanto o motor da viatura, permaneceram ligados. Talvez, o policial Pollack, achasse que a orientação não demorasse tanto, naquele início de madrugada, com o agricultor.
   O homem continuou:
- Aí, eu, meu irmão e esse mesmo compadre meu, resolvemos ficar de campana essa madrugada, para ver se capturava esse lobisomem.
   O interrompendo:
- Já sei - o soldado Pollack fez uma face cômica - Aí, vocês conseguiram prender o monstro!
- Sim. Pós olhe policial. Ontem à noite tava tudo muito escuro. Não foi fácil prender a besta. Tivemos que grudar nele de madrugada. Surrar, surrar, surrar... Até o bicho ficar tonto, e não conseguir machucar a gente e também não sair correndo. Até minha mulher ajudo, com um pedaço de pau. Depois, de madrugada mesmo, conseguimos amarrar o bicho no nosso paiouzinho lá em casa. Agora que vem o problema... - o cortando.

- O quê? Vai dizer que o lobisomem escapou?

- Não é isso policial. Mas acho que ele se transformou em homem. Agora não sei se o delegado para querer prender ele desse jeito.

Autor: Denis Santos. Guarapuava PR. 

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Eu não te acho interessante

Eu não te acho interessante.
Eu não iria gostar de conversar com você.
Não parece que nós nos conhecemos faz tempo. Onde, as idéias batem uma com a outra.
Não tem nada em haver com a roupa que você usa, seu corte de cabelo, ou, para a música que você deva gostar de ouvir.
Ficar aqui, parada, não vai ajudar.
Tenho outra coisa para fazer na cidade. Mesmo que não tivesse, qualquer pormenor, já seria suficiente para ficar longe de você.
Não esqueci algo com a recepcionista.
Não estou esperando ninguém (fazer uma pergunta), sobre uma dúvida qualquer.
Nada.
Nada, para que pudesse ficar parada, enganando minha vontade de te conhecer. Eu não te achei interessante.
Mesmo deixando pensamento, dor, ou, qualquer outra palavra que você queira expor, a mulher tem o direito de escolher.
Agora! Feche essa porta e deixe eu descer. Tem mais gente querendo usar o elevador.
Você não percebeu, mais estou me atrasando, perdendo meu tempo com você.
Já, já vai aparecer outra para ouvir você dizer que ama, ama, ama...
E você sabe, todos, como eu, já escreveram um poema "sincero".


Autor: Denis Santos (Guarapuava).  


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Logo

A neta entrou na sala (bufando) e encontrou a vovó tricotando:
- Vovó, essa foto é do vovô já falecido?
Entregou o retrato para a mãe de sua mãe e permaneceu em silêncio.
Depois de abaixar o volume do televisor, a idosa explicou:
- Sim! Seu vovô foi um policial que nos últimos dias de farda, ficava lá na guarita da penitenciária, tomando conta daqueles presos, para que eles não fugissem.
- E porque eles ficavam presos, vovó?
- Ôh...! Minha querida. Os presos foram homens maus. Que mataram, roubaram, traficaram drogas...
Logo, espiando um indivíduo de terno e gravata na televisão: cabelos presos com um gel brilhoso, onde, quem o entrevistava, explicava que ele era o segundo sujeito mais rico do Brasil (comandava a empresa herança dos pais), a neta perguntou:
- E aquele homem ali vovó - apontou com o dedo médio - Ele também é preso? 

 - Claro que não menina. Nem todo mundo é preso. Se todo mundo fosse preso, quem ia inventar penitenciárias, armas, drogas... 

Autor: Denis Santos. Guarapuava PR. 

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O pudim

  Foi o tenente Bruce chegar na cozinha do Destacamento policial de Pertolópolis, já abriu a geladeira e deixou no interior dela, um pudim de sabor chocolate.
   Rápido, voltou para frente do órgão público, porque percebeu que tinha ouvido o capitão Casey, gritar seu nome.

   Não deu dez minutos, apareceu na cozinha de volta ( depois de ouvir as orientações do capitão, tendo em vista no outro dia cedo, as várias viaturas espalhadas pela cidade, onde, o governador de Estado, estaria se reunindo com o prefeito, vereadores e outros deputados estaduais do município, dando sequência a sua agenda política do mês, na preparação das eleições que se aproximavam).
   No cômodo, o tenente Bruce só encontrou o soldado Tom, rente à mesa, que, olhando um prato vazio, colher em mãos e lábios se locomovendo meio que lentamente, parecia distraído.
   Suspeito, o tenente Bruce, de volta, abriu a geladeira.
  Não enxergou o seu pudim de sabor chocolate, preparado por sua esposa, no interior de uma das repartições do eletrodoméstico.

   Foi curto e grosso, fechou os semblantes e, jogando raios de fogo para cima do soldado Tom, perguntou:
- Não é que eu deixei um pudim na geladeira e o comeram, sem a minha autorização?
- Não se preocupe tenente. Aqui no Destacamento não tem policial dedo duro, mas quando eu achar esse intrometido por aí, eu já entrego ele para o senhor!


                                              Autor: Denis Santos (Guarapuava PR). 

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Caminhada

Caminhando em silêncio,
contando os paralelepípedos, imagino, parecem focados.
Mesmo sob a neblina e o ambiente frio do momento, eles dão os passos, concentrados.
E os outros, logo atrás?
Aonde moram?
O que pensam, e, o que fazem?
Os pêlos do seus braços, aquecidos, com as mangas de algodões, eles caminhando, parecem apressados.
Que vontade será eles teriam de não morar?
Que vontade será eles teriam de não pensar?
Que vontade será eles teriam de não fazer nada?
Será? O amor verdadeiro em suas vidas, que não vão encontrar em casa?
Será? A ignorância, a corrupção, o medo... do mundo?
Será? Suas mãos enrugadas, seus rostos com pés de galinhas, suas pernas e mãos fracas?
Será?
Quem será eles, que não seja, eu, ou, você?!

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).


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Resolvendo

   Foi o dia que não foi te dado "bom dia" por todos.
   O momento exato do almoço, não foi aquele combinado.
   A conspiração ao seu desfavor, não foi expresso na sua cara, mais ela existiu em qualquer sala pelos cômodos.
   Ouvindo coisas sobre políticos investigados; a final do campeonato brasileiro; a dor de alguém internado em algum hospital, ou, já falecido e; a idéia de perdoar o seu irmão, acreditando que após a morte você terá a vida eterna, você terminou o dia "resolvendo".

                                      Autor: Denis Santos. Guarapuava PR.  

 

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Supernatural

- Central, é a quinze! - soltou o botão do maic da viatura, o policial Johan.

   Estavam em uma rua erma: por toda a extensão da via pública, de uma esquina a outra, silêncio total; uma ventania levantava algumas folhas secas do asfalto e; eram duas e meia da madrugada.
- Prossiga para a Central!
- Patrulhamos todos os cantos do local da ocorrência, mas não foi encontrado nada de anormal nas imediações. Se havia som alto em alguma residência, acho que o infeliz parou com a bagunça.
   O bairro à quinze minutos afastado do Centro de Lilópolis. A lua estava cheia. Pela força do vento, os policiais deduziram que mais para o fim de seus turnos, talvez caísse uma chuvinha qualquer.
- Positivo. Se não foi encontrado nada pela equipe, podem encerrar a ocorrência e voltar para o patrulhamento normal. QSL?
- QSL! - ao que encerrou a comunicação com o rádio operador, Johan perguntou para o seu companheiro de serviço naquela noite:
- Você assiste algum seriado?
   Pegaram agora uma viela onde muito dos arvoredos pelas calçadas, muito dos galhos desses, quase tampavam a passagem, quando um automóvel qualquer estivesse em movimento.
- Sou aficionado por The Walking Dead e Supernatural. Assisti os episódios que passaram na televisão e tem muito das temporadas, que já comprei em DVD. Você assiste algum? - perguntou o fardado Harris.

   Estava esperto na boleia da viatura. Principalmente, depois que fossem atravessar um trilho de trem e pegariam uma estrada aburacada (caminho de volta para o Centro de Lilópolis). 

- Gosto de Peny Dreadful, Chicago Fire e Chicago P.D! 

 Rápido o soldado Harris perguntou:

- E por quê você assiste isso?

   Achando estranho a interrogação do colega, Johan ergueu os ombros, fez face investigativa e respondeu:

- Ué! Por que eu gosto! Qual o problema?
   Pisando na embreagem, saindo da quarta marcha e passando para a quinta, rosto focado, Harris quis saber: 

 - Você não acha que é muita ficção?

                                       Autor: Denis Santos. Guarapuava PR.  

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Status na sociedade

Deus não me deu um rosto bonito.

Deus não me deu uma vida fácil.
Deus não me deu status na sociedade.
Deus não me deu uma família perfeita, que não conhecesse o pecado.
Mesmo sem o rosto bonito, mesmo sem a vida fácil, mesmo sem o status na sociedade e, mesmo sem a família perfeita... certeza, 
se eu tivesse "tudo" isso, 
eu não teria prova, 
para acreditar que "ele" existe.


Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).

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A estante

Tenho certeza que um dia iremos mudar o mundo.

Acabaram as guerras pelas riquezas de cada país.

Sumiram todas as doenças incuráveis (principalmente as de alienação e ignorância).

Daqui um tempo, o homem começara a ver outro homem diante dele, não como um inimigo - traidor - mais como pertencente a uma condição humana, que precisa de reparos.

Tenho certeza que um dia iremos mudar o mundo.

Quem é gordo (a), não precisará ficar magro (a) para ser amado (ou, vice-versa).

Quem não enxerga, não precisará puxar carroça a vida inteira, para trabalhar honestamente, porque haverá solidariedade para com sua função.

O filho do filho, nunca mandará em nada, a não ser que ele construa algo com o suor do seus punhos, para comandar.

Tenho certeza que, um dia, ainda iremos mudar o mundo. Quando eu e meus companheiros, aqui, parados, o qual somos chamados de "livros" entrarmos nas idéias de todos os indivíduos que entram e saem dessa sociedade e, a reflexão, não seja única.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR). 

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Outros sites do universo literário clique aqui embaixo:

www.tirodeletra.com.br

http://www.candido.bpp.pr.gov.br 

www.carreiraliteraria.com


A tarefa

Com o puxar da coberta, Jorge percebeu que era hora de acordar (estudava no turno da manhã).
Com o corpo pesado, cabeça perturbada, e se pudesse, continuaria a dormir, atendeu ao pedido de sua mãe, quando ela ordenou:
- Acorde menino, senão vai chegar atrasado!
Foi com gestos lentos que se descobriu de tudo, caminhou até a cômoda, apanhou o seu uniforme (corriqueiro da instituição de ensino).
Se vestiu e andou até a cozinha.
Rente a mesa, uma chaleira.
O liquido no interior dela, frio.
Sua mãe pregava que se fosse esquentar a bebida, poderia faltar gás para o preparo do almoço.
Um pão do dia anterior. Uma, ou, duas passadas de manteiga no meio dele, seria suficiente, segundo o seu pai, para aguentar até a hora da merenda na escola. "Quando eu tinha a sua idade, nem isso tinha em casa", quase todos os dias, Jorge ouvia a lamentação do seu genitor.
Entre sentir frio no braço, vontade de comer mais um pedaço de pão, ou, uma bolacha recheada, se houvesse?, testemunhar as teias de aranhas pelo teto de madeira da cozinha, o piso de vermelhão, cheio de buracos (parecendo um campo minado) e as tabuas das paredes, cheia de peças, já, podres, Jorge apanhou a sua mochila, por de cima do fogão à lenha e depois de deixar a porta que dava para o quintal, disse:
- Tchau mãe?!
- Tchau filho...
Cerca de duzentos metros da casa, seguindo um carreiro de capim alto derredor, próximo a uma cerca de madeira pintada de branco, esperaria a van escolar, que o deixaria no colégio Padre Chagas.
Não deu cinco minutos, percebeu quando o automóvel apareceu depois da curva e deixando um pó alto na estrada, estaria pronta para que ele embarcasse nela.
Foi o veiculo, com cuidado, estacionar, como de todo os outros dia da semana, Jorge tirou a sua mochila das costas, levou para frente da barriga e, rapidinho, como ajuda de uma outra criança que abriu a porta de ferro do carro, se acomodou em um dos bancos almofadados do transporte.
Dali, até a cidade, como era legal: sentiria um friozinho no estomago, quando passassem por de cima da ponte de madeira, dois quilômetros adiante; ia conversando com seus colegas, passagem bobas do fim de semana; por entre as outras fazendas, enxergaria: cavalos, plantações, pinus de doze metros de altura que sumiam para o céu...
No asfalto, era: os sinaleiros, os prédios erguidos de concreto, mercados, lojas, a catedral central...
Fim da locomoção, foi a corrida até a sala de aula, se aprumar em sua cadeira e aguardar o professor, que, sempre esperava que todos os alunos se acomodassem primeiro rente as carteiras, depois ele chegaria trabalhar.
Entre sair da van escolar, debaixo de algazarras, empurrões, gritarias, e esperar a fila até a marcha para a sala de aula, foi o professor Henrique de geografia que mais uma semana letiva, estava começando a partir desse momento:
- Bom dia crianças...
- Bom dia professorrrrr..... - todos num coral só, numa harmonia fora de tom, responderam.
Depois de fazer a breve chamada deles, contar uma piadas sem graça, e dar uma ajeitada no seu jaleco de cor branco, o professor orientou:
- Tragam a lição de casa, classificação das nuvens, estratiformes, fibrosas, cumuliformes, para que eu possa dar uma conferida...
Aquilo para Jorge, como de todas as outras vezes, desde de quando chegou na sexta serie, foi mesma coisa que um aviso de um parente morto na família. De tanta surpresa.
Única coisa que se lembrava, foi que na sexta-feira, depois que saiu da van escolar, encontrou o tio Paulo próximo a cerca branca da chácara, caído ao chão de bêbado, e o ajudou a levá-lo para casa. Depois, lembrou que a mãe pediu para que ele levasse a Capelinha da paróquia São Sebastião, na casa da tia Lucia, onde, já estava com um dia de atraso. Nesse itinerário, na volta, encontrou como o Serginho e o Pedro, foram juntos pelas margens da estrada, juntar pinhão para venderem para o Sr. Izidoro (única Bodega da região agrária que moravam, faziam uns vinte anos).
"Lição de casa de geografia? Da onde foi que o professor tirou isso?", quis entender o menino.
- Jorge!
- Sim professor...
- Seu caderno, só falta você...
- Eu não fiz a lição professor... - rosto baixo da criança.
Alguns dos seus coleguinhas caçoaram dele, de uma forma tímida.
Com a sua face inchada e seus olhos azuis de raios penetrantes, o professor Henrique só se ateu:
- Se lembre Jorge, a vida não é só vídeo game. Se as tarefas escolares, não houvesse "aprendizado" nelas, elas não seriam solicitadas.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Escrever

Eu, erro quando escrevo.
Quando não escrevo, erro também.
O que será isso?
Escrever é errar?
Ou, o erro é criar o errar?
Acertar, não é uma palavra, ou, melhor, um verbo?
É possível escrever crônicas, poesias, romances... sem um verbo?
Eu, erro quando escrevo.
Confesso!
Sempre sofro nocaute pelo erro, mas continuo a escrever pra você.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).




Alerta

Depois que a lua chega, sempre
(do outro lado do vidro), 
observo, calculo,
quem acelera,
mas poderia estar em casa.


Com meu carro:
corri,
troquei a marcha,
corri,
mais ainda,
reduzi,
corri,
acelerei,
mais ainda,
reduzi,
tarde demais....


Quando as estrelas enfeitam o céu,
tempo quente, ou, frio,
quando relâmpagos cortam o céu,
com ventania, ou, trovoada,
(desse lado do som do rádio),
observo, calculo,
quem acelera, 

(mas poderia estar em casa),

para o IML,
cedo demais.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Surdina

Quem amamos, nem sempre estará conosco.
Somos assim: porque fingimos que isso, não fará falta.


Mesmo entre todos,
às vezes, nos sentimos invisíveis.
Sabemos que nosso modo,
(de ver as coisas),
nem sempre fabricam consertos.


Somos assim: porque mesmo sofrendo,
temos dó desses fantoches,
que nem nós conhecem,
e já sabem quem somos.


Somos excluídos, pelo nosso nível de conhecimento, nossas roupas, o que temos e não temos...
Somos assim: porque mesmo em contato com esses que não enxergam nossos corações, a vida "inferior" desses nossos oponentes, nunca estará estampado em suas faces, nem em seus dinheiros (é tudo na surdina).


E, o pior, de sermos assim?


Só pode ser que entendemos,
quem não nos entende,
e, querendo ou não,
fazemos parte deles.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).



Tão perto da verdade

Foi aqui que li, que um cadáver foi desenterrado, sem a autorização da família, com intenção de inocentar um empresário.

Foi aqui que li, que um padre não testemunhou a verdade, diante do conselho diocesano, evitando um escândalo católico.

Foi aqui que li, que um policial deu um tiro num inocente, num terreno baldio, confundido-o com um bandido.

Foi aqui que li, que um professor abusou de sua função de servidor público e discorreu para os educandos, coisas torpes do governador.

Foi aqui que li, que a garota que trabalhava no hotel, não conseguiu casar com aquele astro do rock, mais foi feliz num outro matrimônio.

Tudo isso escrito, nas páginas da ficção, às vezes, tão longe da curiosidade, mas tão perto da verdade.

Autor: Denis Santos (Guarapuava PR).

Convite: Lançamento 2018

Em Maio, sem dia correto (por enquanto), Denis Santos estará lançando o livro: "A madrugada", no mês em questão.

Mande uma palavra: ler; lua; oi; tchau, leitura... (o que você achar mais conveniente. Procure o rodapé abaixo) para participar da "noite de autógrafos". 

Ainda, a intenção é que haja recital de poesias e bate-papo com outros escritores. Sua presença é muito especial para todos nós. 

Obs: Não se preocupe. Não "é" porque você "quis" ser convidado antecipadamente, que você tem "obrigação" de participar da noite de autógrafos. A intenção é que tenhamos uma média "básica" dos pedidos dos livros para a gráfica. E o livros, em hipótese alguma custarão mais que 20.00 (vinte) reais o exemplar. Legal? Duvidas? Sapp 998542564. 


Local: Sem previsão (por enquanto). Mas provavelmente em algum lugar pelo Centro de Guarapuava. Onde, seja fácil o agradável à todos.

Outra coisa: Chegado até aqui você talvez tenha demostrado que (como eu) gosta de "leituras" e consecutivamente de "literatura". Saiba que são poucos que cultivam esse habito em quase todo o mundo. E, a "leitura" é uma das ferramentas mais importante na sociedade desigual/capitalista que vivemos que deixaremos para nossos filhos, como escudo contra as injustiças dos homens. No Centro-Oeste Paranaense, vamos fomentar "juntos" esse "prazer" desconhecido por muitos, que é a "leitura". Em breve, você também estará lançando os seus livros (leitores e escritores, sempre formaram uma sociedade mais justa). Legal? Parabéns! 

 

Sinopse do Livro: "A madrugada".

"O jornalista Rodrigo sai de Curitiba, numa viajem para a cidade de Pato Branco, tentar entrevistar o jogador de futebol Alexandre Pato. No trajeto, num Hotel na cidade de "Moenda de Ouro" (pouco quilômetros depois de Guarapuava), é convidado, pelo porteiro Emendão, para investigar uma casa mal assombrada no município...".

Dúvidas/criticas/elogios você pode usar o mesmo canal de comunicação: po75mn@gmail.com ou Sapp: 998542564.

Obrigado!

Convite no Sapp: 998542564